Adinkras

Padrão

Dentre os saberes desenvolvidos pelos akan – grupo cultural presente no Gana, Costa do Marfim e no Togo, países da África  do Oeste – destaca-se a utilização de um sistema de símbolos para transmitir ideias. Cada símbolo está associado a um  provérbio ou ditado específico, enraizado na experiência dos akan. O conjunto desses símbolos, chamados adinkra, formam  um sistema de preservação e transmissão dos valores acumulados pelos akan. Pode-se dizer que esses símbolos são um tipo  de escritura pictográfica, utilizada amplamente no cotidiano dessa sociedade e que está presente nos tecidos, cerâmica,  arquitetura e em objetos de bronze. Da mesma maneira que os documentos escritos materializam a história nas sociedades  ocidentais, em muitas culturas africanas é a arte que traz o conhecimento do passado até o presente. O símbolo da Casa das Áfricas é um adinkra.

História

A população akan desenvolveu habilidades significativas na tecelagem no século XVI, em Nsoko (hoje Begho), importante  centro de tecelagem. Os adinkra, originalmente produzidos pelos clãs gyaaman, da região Brong, eram de direito exclusivo da  realeza e dos líderes espirituais, e só podiam ser utilizados em cerimônias importantes, tais como funerais – adinkra significa  “adeus”. Durante um conflito militar no início do século XIX, causado pelos gyaaman, que tentavam copiar a “cadeira de ouro”  (símbolo da nação ashanti), o rei gyaaman foi morto. Seu manto adinkra foi tomado por Nana Osei Bonsu-Panyin, o   Ashantehene (rei ashanti), como troféu. Com a túnica, veio o conhecimento da aduru adinkra (tinta especial utilizada no  processo de impressão) e do processo de estampagem de desenhos em panos de algodão. Com o tempo, os ashantis desenvolveram mais a simbologia adinkra, incorporando sua própria filosofia, contos folclóricos e cultura.

Tecidos

Os tecidos ocupam um lugar muito especial na cultura Akan. São utilizados não apenas como vestimenta, mas também como  forma de expressão. Assim, os símbolos adinkra são estampados nos tecidos, para transmitir mensagens. Essa rica tradição  existe desde o século XVII. Inicialmente, as vestimentas com símbolos adinkra eram usadas apenas nas cerimônias fúnebres.  Os símbolos utilizados expressavam as qualidades atribuídas à pessoa que havia morrido. Hoje em dia, os tecidos com  estampas adinkra são usados no dia a dia, mas principalmente em celebrações. Os símbolos são estampados nos tecidos por  meio de uma espécie de carimbo, feito com a casca de cabaças. Este é mergulhado numa tintura feita com cascas de árvores e  pressionado diversas vezes no tecido para criar estampas. Atualmente, tecidos industrializados comemorativos também são  estampados com adinkras. É o caso de um pano produzido por ocasião do falecimento do professor Georges Niangoran  Bouah, grande estudioso da cultura Akan. Recomendamos Adinkra: sabedoria em símbolos africanos de Elisa Larkin

Nascimento e Luiz Carlos Gá. Rio de Janeiro: Pallas, IPEAFRO, 2009.

http://www.adinkra.org/htmls/adinkra_index.htm
http://www.fredsmith.com/

Colaboração do nosso amigo Carlos Souza (Brasil/RJ)

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