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NADINE GORDIMER: UMA VIAGEM SEM REGRESSO

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Publicado no Jornal Folha 8

 

Por Simão Souindoula*

Testemunhando desde cedo a repressão do regime sul-africano – ainda adolescente, viu a polícia invadir a casa paterna para confiscar cartas e outros documentos do quarto de um criado –, a obra de Nadine Gordimer viria quase toda ela a lidar com questões éticas e morais, e em particular com o fenómeno do racismo.

 

nadineA escritora sul-africana Nadine Gordimer (1923-2014), prémio Nobel da Literatura em 1991 e uma das mais influentes vozes contra a segregação durante o regime do appartheid, morreu aos 90 anos. Um comunicado da família informa que a autora “morreu pacificamente” na sua casa de Joanesburgo, na presença dos seus filhos Oriane e Hugo.

Gordimer publicou dezenas de romances e livros de contos, muitos deles retratando a África do Sul durante o regime do appartheid. Em 1974, venceu o Booker Prize com The Conservationist (O Conservador, Asa), protagonizado pelo anti-herói Mehring, um sul-africano branco e rico que vai beneficiando dos privilégios que o regime lhe confere enquanto se debate com o crescente sentimento de que a sua vida carece de verdadeiro sentido.

Nadine Gordimer estreou-se como contista ainda nos anos 40 e publicou o seu primeiro romance, The Lying Days, em 1953. Quando recebeu o Nobel da Literatura, a Academia Sueca justificou a escolha afirmando que a “magnífica escrita épica” da romancista sul-africana trouxera “um grande benefício para a Humanidade”, uma expressão utilizada pelo próprio Alfred Nobel.

Nascida a 20 de Novembro de 1923 em Springs, uma cidade mineira dos arredores de Joanesburgo, Gordimer era filha de um fabricante de relógios letão e de uma inglesa de origem judaica. Foi educada numa escola católica e chegou a frequentar durante um ano a Universidade de Witwaterstrand, que viria a atribuir-lhe, em 1984, um doutoramento honorário em Literatura pela sua “enorme contribuição para a literatura e para a transformação da África do Sul”.

Testemunhando desde cedo a repressão do regime sul-africano – ainda adolescente, viu a polícia invadir a casa paterna para confiscar cartas e outros documentos do quarto de um criado –, a obra de Nadine Gordimer viria quase toda ela a lidar com questões éticas e morais, e em particular com o fenómeno do racismo.

Tinha 15 anos quando publicou no suplemento juvenil de um jornal, em 1937, o seu primeiro conto. O seu livro de estreia, Face to Face, um volume de contos, saiu em 1949.

Amiga de Mandela

Aos trinta anos, publicou o primeiro de 15 romances, The Lying Days, um livro com uma forte componente autobiográfica, cuja acção decorre na sua cidade natal, Springs, e que narra o modo como uma jovem branca confrontada com a injustiça da divisão racial vai adquirindo uma consciência política.

Gordimer é autora de mais de vinte volumes de histórias breves, mas é mais conhecida pelos seus romances, que incluem títulos como A Guest of Honour (1970), que ganhou o prémio James Tait Black, da Universidade de Edimburgo, o já referido O Conservador (1974), July’s People (A Gente de July, Teorema), de 1981, no qual Gordimer imagina uma sangrenta revolução da maioria negra do país contra a minoria branca no poder, ou o mais recente The Pickup (O Engate, Texto Editora), de 2005, que trata temas como o desenraizamento, a emigração, as diferenças de classe e a fé religiosa através de um casal formado por uma mulher branca de uma família abastada e um árabe que vive ilegalmente na África do Sul. Quando o homem é obrigado a regressar ao seu país, a mulher acompanha-o e é ela que então experimenta o sentimento de se ser uma estranha em terra e cultura alheias.

Vários dos seus livros foram proibidos na África do Sul, como o seu segundo romance, A World of Strangers (Um Mundo de Estranhos, Difel), de 1958, ou Burger’s Daughter (A Filha de Burger, Asa), de 1979. A Gente de July, com as suas descrições de sul-africanos brancos perseguidos e assassinados por revoltosos negros, conseguiu mesmo ser banido do ensino já depois da queda do apartheid.

Gordimer aderiu ao Congresso Nacional Africano (ANC) quando a organização era ainda ilegal e, embora tenha sido sempre uma militante crítica, via no ANC a melhor esperança para derrubar o apartheid. A sua actividade cívica e política levou-a a travar conhecimento com os advogados de Nelson Mandela, e colaborou mesmo na redacção do discurso de defesa que o futuro presidente da África do Sul apresentou em tribunal em 1962, intitulado Estou Preparado para Morrer. Mandela leu mais tarde a A Filha de Burguer na prisão e, quando foi libertado, em Fevereiro de 1990, pediu para conhecer a autora. Ficaram amigos e enquanto Mandela foi vivo mantiveram contactos regulares.

Gordimer participou regularmente em manifestações contra o racismo e a repressão na África do Sul e aproveitou a notoriedade que os seus livros lhe trouxeram para denunciar sistematicamente o regime junto da opinião pública internacional.

Simão Souindoula:

Director of the Program “Angolan Road of Slavery”

Touristic and Historical – Cultural Project Kanawa Mussulo

” Um filho chamado luar “

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Por Orlando Castro (*)

angola atardecer

*

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A noite apaixonou-se pelo dia

fazendo juras de amor sem par.

E entre as brumas da nostalgia

nasceu um filho chamado luar.

 +

E é no meio de Angola que mora

a raiz de uma saudade que enleio.

Por isso é que sou branco por fora,

preto por dentro e mulato no meio.

+


Mas tudo isso são coisas do coração,

dos que  amam sem olhar a quem,

dos que dão força à força da razão

e que nos ajudam a sermos alguém.

+

+

Orlando Castro, natural de Angola.  Mora actualmente em Porto, Portugal, país onde desenvolve seu trabalho de jornalista independente e Escritor.

 

Imagem: https://barakadas.wordpress.com/

Eduardo Paim – Música – Angola

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Por Jomo Fortunato (*)

Com a dispersão dos instrumentistas dos principais agrupamentos musicais, o advento da independência de Angola e o encerramento das gravadoras mais conceituadas, surgiu o fulgor de uma geração que despontou nos anos oitenta e encontrou na rítmica do semba, na música congolesa, nas mornas e coladeras cabo-verdianas, na generalidade da música ocidental, com destaque especial para os Beatles, Supertramp, Pink Floyd, e, principalmente, na absorção do zouk, os motivos experimentais, mais substanciais, da sua evasão criativa.

Do Congo, Brazaville, onde nasceu no dia 14 de Abril de 1964, emergiu um nome desta geração – que já está gravado na história contemporânea da música angolana – que deu consistência à formação de um período que ficou marcado pelo surgimento do género kizomba – trata-se de Eduardo Paim Ferreira da Silva.

Congo, Dolizie, Cabinda, Luanda, onde termina a 4ª classe, e, mais uma vez Cabinda – onde retorna em consequência da explosão escolar em Luanda – para concluir o ciclo preparatório, constituem a rota de um cantor, compositor e instrumentista, que transformou o ambiente artístico luandense, movimentando, musicalmente, os meios académicos da sua época, socorrendo-se daquilo que era possível reaproveitar, das novidades que então surgiam no domínio das modernas tecnologias de criação e produção musical.

Estamos em 1976, e Eduardo Paim dá forma a um percurso, localizado, inicialmente, no Lar dos Estudantes de Cabinda, onde conhece o músico Arcanjo, guitarrista ritmo do conjunto Bela Negra, e famosos daquela província como: Timex, Petit Louis, a poetisa Amélia Dalomba, incluindo os integrantes do Super Coba de Cabinda. Nesta época Eduardo Paim trauteava a canção: “Eh… avante povo/ África em luta/ pela libertação…”, um tema de intervenção, dedilhado, de forma apaixonada e incipiente, na primeira fase de contacto com o violão acústico.

Em 1975, ao longo do ano lectivo que decorria, ainda em Cabinda, Eduardo Paim integra uma pequena formação escolar, com 11 anos, fazendo a sua primeira e precoce aparição pública, no Cine Chiloango, por ocasião da festa do final do ano lectivo, numa sessão em que foi efusiva e vivamente aplaudido.

De retorno a Luanda, em 1979, munido dos preciosos ensinamentos do Arcanjo, Petit Louis e Timex, cria os “Os puros”, na escola Njinga Mbande, com Bruno Lara e Levi Marcelino, jovens que transportaram, para as harmonias das guitarras e flautas, os textos poéticos de Agostinho Neto, uma homenagem ao “Poeta Presidente”, falecido no mesmo ano.
Em 1981, decidido a prosseguir os estudos, tenta, sem simpatia por uma opção que se tornou involuntária, o curso de siderurgia, no Instituto Industrial Pedagógico do Huambo, onde experimenta novas sonoridades musicais. Do planalto central, colheu a aprendizagem da notação dissonante, com jovens do instituto, uma técnica que veio a influenciar, de forma positiva e inovadora, a estética dos SOS.

A queda da folha verde

De volta a Luanda, desta vez na Escola Industrial “Makarenko”, Eduardo Paim reencontra velhos amigos dos “Puros”, primeiro Levi Marcelino e Bruno Lara, e depois Chico Madne, Bibi, Nelson, Ferreira, Simmons, e o poeta Carlos Ferreira (Cassé), os dois últimos na Rádio Nacional de Angola, constituindo o início da fundação do grupo musical “SOS”, estamos em 1979.

Carlos Ferreira (Cassé), acabou por ser o autor do texto, “SOS precisa-se”, canção que nunca chegou a ser gravada, da qual respigamos alguns versos: “A folha verde está cair/ a razão está a secar/ quem estiver para desistir é melhor se enquadrar… Eu não sou um feiticeiro/ para adivinhar toda história/ mas vamos lá então saber/se ficou ou não na memória…/ SOS chegou, SOS precisa-se (refrão)”. Esta canção acabou por ser o mote homónimo e inspirador da designação do grupo.

“Chão da gente” (1982), o primeiro álbum com textos de Carlos Ferreira, foi o primeiro LP do SOS, editado pelo INALD, que incluía o sucesso, “Dizer adeus”, interpretado pela voz feminina de Armanda Fortes.

A formação mais consistente dos SOS, acabou por integrar Eduardo Paim (teclas e guitarra solo), Levi Marcelino (guitarra ritmo), Bruno Lara (contrabaixo e teclas), Chico Madne (baterista), Bibi (pecurssão), Nelson (viola baixo), Carlos Ferreira (textos) e Ferreira (guitarra solo), o último abandona o grupo por questões de saúde, sendo depois substituído pelo guitarrista Simmons Mancini.
Importa referir que, na primeira fase do SOS, ninguém estava orientado para executar somente o seu instrumento, quase todos tocavam tudo.

Eduardo Paim emigra, provisoriamente, para Portugal, em 1988, sentenciando a morte do grupo e levando consigo duas experiências: a do SOS, enquanto grupo, e a passagem, como instrumentista e produtor musical, na Rádio Nacional de Angola.
De volta a Luanda, com o SOS desfeito, surgem os Kanauas, com Eduardo Paim (teclas e programação da caixa de ritmos), Maninho (baixo), Ruca Van-Dúnem (teclas e voz), Moniz de Almeida (voz) e Simmons Mancini (guitarra), grupo responsável pelos sucessos iniciais de Moniz de Almeida.

Os projectos musicais “Kijila I, II e III”, resultantes do reencontro de Eduardo Paim, em Portugal, com Ruca Van-Dúnem, Ricardo Abreu e Luandino, podem ser considerados um marco importante na formação da estrutura rítmica do género kizomba.

Nos anos oitenta, vivia-se um forte fluxo migratório de angolanos em Portugal e imperava a música de Bonga, Raúl Indipwo (do Duo Ouro Negro com Milo Victória Pereira), Tropical Band, grupo influenciado pela rítmica de Eduardo Paim, e começava a entrar em cena o lirismo de Waldemar Bastos, com o LP “Estamos juntos” (1983), gravado com conceituados músicos brasileiros.

Foi neste ambiente nostálgico que surge o ritmo contagiante de Eduardo Paim, com “Luanda minha Banda” (1990), um álbum atrelado a um texto com linguagem actualizada pelo calão do quotidiano luandense e expressões pitorescas de reconhecimento imediato, razões principais do sucesso da música de Eduardo Paim na comunidade angolana, residente em Portugal.

Origem do género Kizomba

Numa altura em que o zouk dominava as festas (kizomba) e parte substancial das emissões musicais radiofónicas das estações de Luanda, o que se ouvia e se dançava, frequentemente, nas kizombas, acabou por adquirir o rótulo do género que então se formava. O género kizomba, encontro rítmico do semba com o zouk, a conhecida música das Antilhas Francesas, acabou por ser o resultado desta fusão, criando-se um estilo que se emancipou no conteúdo textual e na estrutura rítmica.

Embora tributário das técnicas de construção textual de Paulo Flores e dos préstimos, a nível dos sintetizadores, de Ruca Van-Dúnem, Eduardo Paím é, inequivocamente, um nome de referência incontornável na história da Música Popular Angolana, pela influência que exerceu nos jovens da sua geração e nas que se afirmaram depois dos anos oitenta.

É, igualmente, considerado, unanimemente pela crítica, um dos fundadores do género kizomba. Não se deixa aqui de referir que os projectos musicais “Kijila I, II e III”, resultantes do reencontro de Eduardo Paim, em Portugal, com Ruca Van-Dúnem, Ricardo Abreu e Luandino, que podem ser considerados um marco importante na formação da estrutura rítmica do género kizomba.

Produtor musical

Eduardo Paim revelou-se não só um intérprete e compositor mas também um produtor musical de múltiplos recursos.

Importa salientar que o produtor musical, também designado produtor discográfico, é a figura responsável pela conclusão de uma gravação que se considera finalizada para o lançamento.

Neste sentido o processo das primeiras produções de Eduardo Paim já incluíam a gravação, aconselhamento dos músicos, escrita, incluindo a supervisão do processo de mistura, podendo ser considerado o pioneiro no uso de sintetizadores e outros processos análogos, como a caixa ritmos, uma aprendizagem que teve a inegável contribuição de técnicas já dominadas por Ruca Van-Dúnem.

É tanto assim, que a estética musical de Eduardo Paim, enquanto produtor, teve suma importância nas carreiras de importantes cantores e no curso da própria Música Popular Angolana, mais recente.

Paulo Flores, Diabik, Clara Monteiro, Nelo Paim (o promissor irmão mais novo de Eduardo Paim), Mamborró, Jacinto Tchipa, Moniz de Almeida , Tropical Band e Ruca Van-Dúnem, citamos os mais importantes, são exemplos da influência e do foco irradiador das teclas de Eduardo Paim, cuja sonoridade electrónica, atravessou uma parte substancial da música dos últimos vinte anos.

O início da carreira de Paulo Flores teve a produção e contribuição de Eduardo Paim. Temas como: “Cheri”, “Kapuete kamundanda”, e “Isso é boda”, as primeiras composições de Paulo Flores, resultaram de um convite formulado a Eduardo Paim por Carlos Aberto Flores, pai do Paulo Flores.

Discografia de Eduardo Paím

Também conhecido por General Kambuengo (teimoso, resoluto), Eduardo Paim obteve, durante a sua carreira, três discos de ouro e de prata, distinções outorgadas por editoras portuguesas, atribuídas pela soma de cinquenta mil discos vendidos, com os álbuns: “Kambwengo” (1994), “Do kayaya” (2002), e “Ainda há tempo” (1996).

A canção “Rosa Baila”, do álbum “Kambwengo”, um dos paradigmas da discografia de Eduardo Paim, que retrata o perfil da típica mulher angolana, esteve nas paradas de sucesso da Rádio Televisão Portuguesa (RTP), durante meses.

“Luanda minha banda” (1990), “Mujimbos” (1998), e “Maruvo na Taça” (2006), constitui um conjunto discográfico, de mais de vinte anos de carreira. O seu último CD, muito mais participado, teve a contribuição de cantores como: Fernando Girão, Nancy Vieira, Bonga, Voto Gonçalves, Dom Caetano, Ângelo Boss, Negro Bué e Matias Damásio.

O CD “Luanda minha banda”, revelou-se, de igual modo, um sucesso, sem precedentes, na carreira de Eduardo Paim, um álbum que alinhava os temas: “A Minha Vizinha”, “Kutonoca”, “É Tão Bom”, “Luanda Minha Banda “, “Som da Banda”, “Nagibo” e “Kizombada”.

Neste disco, Eduardo Paim trabalhou com o guitarrista guineense Justino Delgado e o cantor Guilherme Silva, um artista moçambicano que já partilhou o palco com artistas como: Julio Iglesias, Tina Turner, Juan Luis Guerra, Cesária Évora, Tito Paris, e Rui Veloso.

A economia de meios instrumentais, um dos méritos de Eduardo Paim, em estreita colaboração com o guitarrista Simmons Mancini, revelou-se como uma das estratégias deste álbum, assim como o uso dos sintetizadores, cuja funcionalidade acabou por ser o único recurso na época.

Para um artista com um longo percurso artístico, Eduardo Paim defende que “quando não tens seguidores, significa que não atingimos o alvo, porém, quando há muitos, podemos nos perder entre os que nos seguem”.

(*)FUENTE: JORNAL DE ANGOLA

SALIF KEITA – Música Mali

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Salif Keita nasceu em Djoliba, Mali, em 5 de agosto de 1949. Descendente direto do fundador do Império Mali, Sundiata Keita, albino e apaixonado pela música, Salif Keita, contrariando seu destino, escolhe se tornar cantor, ainda que esta não seja uma profissão digna da sua casta. No ano de 1967 viaja até Bamako, onde faz parte da Super Rail Band junto com o reconhecido músico Mory Kanté, começando assim sua bem sucedida carreira musical.

Madan

Artesanato Tuaregue

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A população conhecida no ocidente pelo nome genérico “tuaregue” encontra-se atualmente espalhada em grande parte do Saara e no Sahel, faixa semi-árida ao sul do deserto. Vivem nas atuais repúblicas da Argélia, Níger, Mali e Burkina Fasso e no reino do Marrocos. Os tuaregue (sing. targui) são parte do grande grupo Amazigh (ou Berbere) que vivia no norte da África antes da chegada dos árabes a esta região no século VII. Convertidos ao Islã, até hoje os tuaregue são os mestres do deserto, criadores de camelos e caravaneiros. Sua habilidade para cruzar o Saara garante há séculos a ligação comercial e o trânsito cultural entre o Magrebe e os grandes centros difusores ao sul do deserto, como as cidades históricas de Tombuctu, no Mali, ou Agadez, no Níger. Divididos em subgrupos, os tuaregue compartilham a língua tamasheq e a escrita tifinagh. Sua cultura material é marcada pelos desenhos geométricos. A prata, tida como “abençoada pelo Profeta”, é o metal mais apreciado pelos tuaregue. Seus exímios artesãos, utilizando técnicas simples como a moldagem pelo método da cera perdida, criam objetos e adereços refinados. O acabamento é feito manualmente, por cinzelagem e gravação. O couro é também trabalhado com maestria pelos tuaregue, sendo essa atividade exercida por homens e mulheres. O entalhe em madeira e os bordados apresentam os mesmos detalhes geométricos utilizados nas demais técnicas artesanais.

Ref: Casa Das Áfricas

Colaboração de nosso prezado amigo Carlos Souza (RJ-Brasil)

Grace Évora – Música – Cabo Verde

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Nasceu na Ilha de São Vicente, Cabo Verde, a 2 de Fevereiro de 1969, no seio de uma família de prestigiosos artístas.

Desde a infância na vila piscatória de Salamansa, demonstrou um grande interesse pela música, o canto e a bateria.

Com 8 anos, emigrou com a familia à França, morando por um curto período de tempo em París.  Mais tarde a familia escolheu Roterdão, como sua morada definitiva.

Em 1989 integra o grupo Livity como baterista, começando assim o reconhecimento a sua carreira astística.  É com a canção “Bia” no segundo álbum da banda, que a carreira de Grace Évora toma outro rumo, ganhando prestigio como cantante, para logo lançar sua carreira como solista.

A começos dos anos 90, formou o grupo “Splash” em companhia de Dina Medina, Djoy Delgado, Johnny Fonseca, Roberto Matias, Manu Soares e Milena Tavares.

Na atualidade, já com 43 anos, Grace Évora está no pic da sua carreira como solista, da que apresentamos seu sucesso”Lolita”.  !Esperamos Gostes!

LOLITA-GRACE ÉVORA

Também podes ouvir (em português) a participação de Grace Évora e o melhor da sua música, na versão de nosso programa amigo Zwela África do día 11 de março de 2012

Amigos, agradecemos suas sugestões e correções aos textos.

Fuentes: Zwela África
Fuentes: áfrica online

Cinema da Guiné-Bissau – Filomena Embaló

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Por Filomena Embaló

O presente trabalho tem como fim apresentar, num único documento, um panorama geral sobre a cinematografia da Guiné-Bissau, através de uma recolha o mais completa quanto me foi possível de informações esparsas, sem no entanto ter a pretensão de ser exaustiva. A contradição entre certos dados encontrados pode ter levado a eventuais imprecisões. Assim, complementos, correcções e precisões serão bem-vindos.

O cinema da Guiné-Bissau

Foi preciso a Guiné-Bissau existir como Estado independente para que a 7a Arte passasse a integrar o património cultural nacional. Com efeito, foi já na segunda metade da década de setenta do século XX que surgiram as primeiras produções cinematográficas nacionais pela câmaras dos realizadores guineenses Sana Na N’Hada e Flora Gomes. As primeiras obras pioneiras foram as curtas-metragens “O regresso de Cabral” (1976) e “Anos no oça luta”  (1976), duas co-realizações dos dois cineastas. A longa-metragem surgiu mais tarde, em 1987 com a belíssima e muito premiada obra de Flora Gomes “Morto Nega”.

Num país com as limitações da Guiné-Bissau, o desenvolvimento do cinema deparou-se sempre com dificuldades de vária ordem. O Instituto Nacional de Cinema (INC), criado pouco depois da independência, nunca foi dotado de uma política de cinema nem dos meios necessários para apoiar eficazmente o desenvolvimento da realização cinematográfica do país. Ele teve no entanto o mérito de apoiar e enquadrar os primeiros passos dos jovens realizadores de então Hoje, o INC, reactivado em Setembro de 2003 após década e meia de abandono, está “apostado em relançar todas as actividades relacionadas com o cinema”, incluindo a dotação de uma sala de cinema digna desse nome.

Apesar de um cenário caótico de apoio ao cinema nacional, este desenvolveu-se graças  à persistência e vontade própria de Flora Gomes e Sana Na N’Hada, que num verdadeiro “percurso de combatente” conseguiram reunir meios e condições para se afirmarem profissionalmente, tanto a nível interno como internacional, promovendo assim uma cinematografia nacional que reúne 15 realizações de que muito nos podemos orgulhar. De notar que, não havendo actores profissionais de cinema, tiveram que recorrer a amadores que no entanto souberam estar à altura do desafio que se lhes lançava. A premiação de Bia Gomes (Morto Nega) em dois festivais (Menção Especial para a Melhor Actriz no Festival de Ouagadougou e o Prémio de Melhor Actriz no Festival Internacional de Cartago) e de Maysa Marta (Olhos azuis de Yonta, Prémio da Melhor Actriz no Festival de Ouagadougou) são bem a prova do reconhecimento da actuação destas duas actrizes nacionais.

Flora Gomes e Sana Na N’Hada foram durante muitos anos os únicos realizadores da Guiné-Bissau. Em 2005 o jovem Adulai Jamanca veio reforçar a equipa dos realizadores bissau-guineenses com um primeiro filme documentário. Outros valores se perfilam num horizonte que se espera próximo, como veremos mais à frente.

1. A cinematografia de Sana Na N’Hada

 

Sana Na N’Hada, o primeiro realizador da história do cinema bissau-guineense, nasceu em Enxalé, na Guiné-Bissau, em 1950 e completou os estudos secundários em Cuba. Formou-se em Cinema pelo Instituto Cubano de Artes e Indústria Cinematográfica, tendo também cursado no Instituto de Altos Estudos Cinematográficos (IDHEC), em Paris. Em 1979 foi Director do Instituto Nacional de Cinema da Guiné-Bissau.

Foi na década de 1970 que Na N’Hada deu início à sua carreira de realizador com a produção de curtas metragens:  “O regresso de Cabral” (1976), “Anos no oça luta” (1976), ambas em co-realização com Flora Gomes, “Os dias de Ancono” (1979) e “Fanado” (1984). Em 1994 realiza a sua primeira longa metragem com o filme “Xime[i], que esteve em competição oficial nesse mesmo ano no Festival de Cannes, na secção Un certain regard.

Em 2005, realiza o documentário “Bissau d’Isabel[ii] que foi galardoado com o Prémio Revelação (RTP África) no ’05 Festival Imagens, em Cabo Verde no ano de 2005. O filme foi também exibido em diversos outros festivais e mostras de cinema:  Mostralíngua – Festival de Cinema de Coimbra, Portugal (2007); Biblioteca Municipal Dr. Fernando Piteira Santos na Amadora, Portugal (2007); … E África aqui tão perto – Programação do Museu Nacional do Traje e da Moda em Lisboa, Portugal (2007); IV Festival de Cine Africano Tarifa em Espanha (2007); Festival Internacional do Filme Documental de Guangzhou, na China (2006); Cineport – II Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa (2006) e na RTP África em 2005 e 2006.

2. Cinematografia de Flora Gomes

Flora Gomes nasceu em Cadique, na Guiné-Bissau e estudou Cinema em Cuba, no Instituto Cubano de Artes e Indústria Cinematográfica e no Senegal, sob orientação de um dos mestres do cinema africano, Paulino Soumarou-Vieyra. Trabalhou como repórter para o Ministério da Informação.

Flora Gomes iniciou a sua carreira ao lado de Sana Na N’Hada co-realizando com este duas curtas metragens:  “O regresso de Cabral” (1976), “Anos no oça luta” (1976). Continuando a sua carreira, realizou ainda a média metragem “A reconstrução” (1977) com Sérgio Pina e “N’Trudu”.

Em 1987, Flora Gomes lança-se com sucesso na realização de longas-metragens. Com “Mortu Nega[iii], a primeira longa-metragem do cinema bissau-guineense, o realizador propulsa-se na cena internacional com a premiação deste filme em quatro festivais nesse mesmo ano: duas Menções Especiais no prestigiado Festival Internacional de Veneza; Prémio Oumarou Ganda para o Melhor Primeiro Filme no Festival de Ouagadougou no Burkina Faso, Tanit de Bronze no Festival Internacional de Cartago na Tunísia e Prémio Especial no Festival de Khouribga, em Marrocos. Bia Gomes, a actriz estreante que brilhantemente desempenhou o papel da protagonista do filme, obteve a Menção Especial para a Melhor Actriz no Festival de Ouagadougou e o Prémio de Melhor Actriz no Festival Internacional de Cartago.

 

Olhos azuis de Yonta[iv], a sua segunda longa metragem realizada em 1991, é o primeiro filme de um realizador bissau-guineense a participar na Selecção Oficial do Festival de Cannes em 1992, na secção Un Certain Regard. Nesse mesmo ano, o filme é premiado em seis outros festivais: Tanit de Bronze e Prémio OUA no Festival Internacional de Cartago; Melhor Retrato da Sociedade Africana no Festival de Cinema Africano de Milão;  Prémio Especial do Júri, no Festival de Salónica, na Grécia;  Primeiro Prémio no Festival dos Filmes em Línguas de Difusão Restrita, organizado em Zarautz, na Espanha e Prémio do Público no Festival Internacional de Filmes de Wurzburg, na Alemanha. Maysa Marta recebeu o  Prémio da Melhor Actriz no Festival de Ouagadougou pelo seu desempenho.

Em 1994 e 1995, Flora Gomes realiza duas curtas metragens, respectivamente “ A Máscara” e “A identificação de um país”.

A sua terceira longa metragem, “Po de sangui[v] surge em 1996, tendo também participado na competição oficial do Festival de Cannes desse mesmo ano, bem como no Festival de Cartago onde recebeu o Tanit de Prata.  O filme foi igualmente galardoado com: a Medalha de Mérito Paulino Vieira, M-Net Awards da África do Sul; o Grande Prémio do  Festival de Filmes da Família de Créteil na França e o Prémio da Melhor Ficção no Festival do Filme do Ambiente, na França.

A última longa-metragem em data de Flora Gomes é o filme “Nha fala[vi], a primeira comédia musical do cinema africano, realizado em 2002. Convidado a participar no Mercado do Filme do Festival de Cannes, o filme recebeu a Bolsa Francófona de Promoção Internacional, que recompensa as obras de realizadores do Sul. Tal como os filmes precedentes do realizador, “Nha Fala” foi recompensado em vários outros festivais em que participou. Assim, recebeu os seguintes prémios: Prémio do Júri Melhor Filme e Prémio do Público Melhor Filme do Festival “Caminhos do Cinema Português X” Coimbra 2003; Primeiro Prémio (Comunicação Intercultural) do Festival “Vues d’Afrique” de Montreal (2003); Prémio da cidade de Ouagadougou e Prémio UEMOA no Festival Fespaco Ouagadougou 2003; Grande Prémio Signis Juri 2002 e Prémio d’Amiens Métropole do Festival de Amiens 2002, na França; Prémio “Lanterna Mágica” no Festival de Veneza 2002; Prémio Città di Roma – Arco-Iris Latino no Festival de Veneza 2002.

Em 2007, Flora Gomes e a jornalista-realizadora  portuguesa Diana Andringa co-realizaram “As duas faces da guerra[vii], um filme documentário sobre a guerra colonial na Guiné-Bissau e que foi apresentado na 2ª Mostra do Documentário Português que teve lugar de 15 a 24 de Fevereiro de 2008 em Lisboa.

Com a sua obra cinematográfica, Flora Gomes tornou-se no realizador de referência da cinematografia nacional, conquistando a estima e o reconhecimento internacionais como testemunham as diversas distinções de que foi alvo. Assim, em 1996 foi condedorado com o grau de Chevalier des Arts et des Lettres da França, em 1994 com a Medalha de Mérito da Cultura da Tunísia. Em 1994 foi Membro do Júri do Festival de Cartago e em 2000 integrou a manifestação  “6 Cineastas africanos” organizada, no quadro do Festival de Cannes, pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros francês. Nesse mesmo ano participou na Conferência sobre a Globalização, Regionalização, Cultura e Identidade nos Pequenos Países, organizada pela Universidade de Tufts (EUA).

De notar uma constante nos filmes deste grande realizador nacional: a participação em todos os seus filmes de Bia Gomes, actriz fetiche de Flora Gomes, sem a qual afirma “não poder trabalhar”.

Flora Gomes prepara-se a brindar-nos com futuras realizações: os documentários “Tarrafal” e República das crianças” e a ficção “Amilcar Cabral”.

3. A nova geração de realizadores

Vinte anos depois dos primeiros passos dos dois pioneiros do cinema bissau-guineense, novas vocações despontam no horizonte cinematográfico nacional.

Em 2005, Adulai Jamanca, que cursou realização no Instituto Nacional de Cinema da Guiné-Bissau (INC) com o realizador Sana Na N’Hada, realizou o seu primeiro filme “Zé Carlos Schwarz – A Voz do Povo[viii],  um documentário que retrata a vida de José Carlos Schwarz, poeta e fundador da música moderna da Guiné-Bissau.

Quatro outros realizadores desenvolvem neste momento projectos de filmes, apresentados já nos Encontros Tenk d’Africadoc em Goré, no Senegal, que têm como objectivo apoiar os novos realizadores africanos. São eles:

Waldir Araújo, que prepara “Hora de bai”, um documentário sobre os Rabelados da Ilha de Santiago de Cabo Verde;

Domingos Sanca, com “O Rio Cacheu”, um documentário que chama a atenção para a conservação da natureza na zona do rio Cacheu;

Geraldo Manuel de Pina, com o documentário “Paraísos divergentes” que aborda a questão do equilíbrio natural do Arquipélago dos Bijagós.

Suleimane Biai, com o filme documentário “Samba, chofer latchi” que através das vivências dos habitantes de Bissau, põe a nu as marcas físicas e psicológicas que a guerra de 1998-1999 deixou nas pessoas.

4. Fichas técnicas dos filmes dos realizadores guineenses

 

XIME (1994)

A boa colheita que se anuncia neste ano de 1963 deixa optimista a tabanca de Xime. Porém, Lala, o viúvo, pai de Raúl e Bedan está preocupado. Raúl, o seu filho mais velho, estuda com os padres em Bissau e as autoridades coloniais andam à sua procura. O seu filho mais novo, Bedan, que ficou na tabanca, entrou na adolescência, fase em que os jovens pensam que podem fazer tudo. Quando a tia Samy sai do seu estado de prostração anuncia a Lala as piores catástrofes. Raul, o filho ausente regressa à tabanca. O pai recusa-se a reconhecê-lo. Bedan, embora sensível às ideias revolucionárias de Raúl, não está pronto para aceitá-las. Raúl é também rejeitado pelo padre que o instruiu. Durante as ausências de Raúl, a tabanca volta a estar calma. Bedan deve submeter-se aos ritos de iniciação reservados aos jovens para se tornarem adultos. Esta iniciação ensina-lhes a trocarem a violência da adolescência pela doçura e reflexão. É durante a iniciação que os militares irrompem perseguindo Raúl que acabam por matar. O filme acaba no momento em que Bedan, iniciado à não-violência, vê a situação do país contradizer esta tradição. Bedan, diante do irmão morto, renega os ensinamentos dos seus mestres e declara: “Desta vez é a guerra”

Realização: Sana Na N’Hada

Produção : Molenwiek Film BV (Amsterdam), Arco Iris (Bissau), Les Matins Films (France), Cap Vert (Sénégal).

Com a participação de :
Ministério dos Negócios Estrangeiros (Direcção do Audiovisual Exterior e das Técnicas da Comunicação) e Ministério da Cultura e da Comunicação (Centro Nacional da Cinematografia) – FONDS SUD CINEMA (França).

Festival :
Selecção oficial do Festival de  Cannes 1994.

1994

Cenário : Sana Na N’Hada – Joop van Wijk

Duração : 95 mn

35 mm colorido

Imagem : Melle Van Essen

Som : Philippe Sénéchal

Música : Patricio Wong – Malam Mané

Montagem : Anita Fernandez

Intérpretes : José Tamba, Justino Neto, Aful Macka, Etelvina Gomes, Juan Tajes, Daniel Smith

MORTO NEGA (1988)

Diminga, mulher guineense de 30 anos de idade, decide ir ter com o marido, Saco, na frente da luta de libertação. Caminhando pelas matas com os combatentes, ela descobre o país em ruínas. Dias de tristeza: a morte está inscrita por toda a paisagem. Dias de esperança, também: em breve a guerra acabará. No acampamento, Diminga e Saco mal têm tempo de se reencontrarem. Tudo se precipita à sua volta. 1977, a paz não é o fim da guerra. Na tabanca de Diminga há muita alegria e ri-se muito. Há também alguns gritos de raiva, algumas lágrimas. A seca assolou o país, como uma nova fatalidade. É preciso continuar a lutar para que a terra dê os seus frutos. Hoje ela já não dá mais nada. A luz é dura. Tudo parece paralizado, imóvel. Ao lado de Diminga, Saco está doente. Diminga solicita então a ajuda dos deuses ancestrais…

Realizador : Flora Gomes

Cenário : Manuel Rambout BARCELOS, Flora GOMES

Imagem : Dominique GENTIL

Som : Pierre DONNADIEU

Intérpretes : Tunu Eugénio ALMADA, Mamadu Uri BALDE, Bia GOMES

Décors : Fernando JÚLIO, Manuel JÚLIO

OLHOS AZUIS DE YONTA (1991)

O filme traça a trajetória da jovem e bela Yonta, secretamente apaixonada por Vicente, um homem mais velho, amigo dos seus pais e antigo herói da luta pela independência do país. Ele nem sequer percebe a paixão que inspirou. Enquanto isso, Zé, um jovem do porto, manda cartas apaixonadas e anônimas para Yonta. A nossa história se passa em Bissau, uma cidade ao mesmo tempo jovem e velha, em movimento permanente. Um espaço onde a atmosfera oscila entre a esperança e o desencorajamento.

 

Realização: Flora Gomes
Cenário: Flora Gomes, Ina Cesaire, David Lang
Fotografia: Dominique Gentil
Música: Adriano G. Ferreira – Atchuchi
Intérpretes : Maysa Marta, Pedro Dias, Antonio Simão Mendes, Mohamed Lamine Seidi, Bia Gomes
Produtor: Paulo de Souza
Longa-metragem – 90 min.

PÓ DI SANGUE  (1996)

Na tabanca de Amanhã Lundju, por ocasião de cada nascimento planta-se uma árvore. Estas árvores crescem com as crianças, ultrapassam-nas, sobrevivem-lhes e tornam-se na alma dos habitantes. Quando Du, o nómada, gémeo de Hami, regressa da savana, o irmão acabava de morrer. O que matou Hami? Que mal ronda Amanhã Lundju? Quando chegam os citadinos interessados na exploração da floresta, tudo se complica. Calacalado, o velho feiticeiro dá ordens para a população se exilar, confia a missão  Du e pede a Saly que guie a população em direcção do sol. Irão até ao deserto para uma viagem de iniciação. E é o nascimento de uma criança que os faz voltar à tabanca para plantar uma nova árvore…
Realizador : Flora Gomes

Cenário : Anita Fernandez, Flora Gomes

Imagem: Vincenzo Marano

Montagem : Christine Lack

Som : Pierre Donnadieu

Intérpretes : Dulcineia Bidjanque, Dadu Cisse, Edna Évora, Bia Gomes, Adama Kouyate, Ramiro Naka

Produção: : Arco Iris (Guinée Bissau) ; Cinéfilm (Tunisie) ;Films Sans Frontières
70, boulevard de Sébastopol 75003 Paris France
Tél : 01 42 77 21 84 Fax : 01 42 77 42 66
Courriel : info@films-sans-frontieres.fr
Site : http://www.films-sans-frontieres.fr/

SP Films (Portugal)

NHA FALA (2002)

Em Cabo Verde tudo se faz em canções : casamentos e enterros, encontros e rupturas, eleições e inaugurações. Só a jovem Vita não tem o direito de cantar. Uma lenda ancestral da sua família prediz a morte àquela que tentar cantar. Antes de partir para França para continuar os estudos, ela reitera o seu juramento à mãe. Jamais uma melodia escapará da sa boca. Em Paris, Vita encontra um jovem músico, Pierre, e apaixona-se por ele. Levada pela alegria ela deixa escapar algumas notas. A sua voz é magnífica. Subjugado, Pierre convence-a a gravar um disco. Mas Vita está horrorizada por ter desafiado a maleficência. Ela decide de regressar ao país, de confessar o seu acto à mãe e de enfrentar o jugo da tradição…

Realização : Flora Gomes
Cenário : Flora Gomes et Franck Moisnard
Director da fotografia : Edgar Moura
Chefe Decoradora : Véronique Sacrez
Engenheiro do som: Pierre Donadieu
Montagem Som : Frédéric Demolder
Montagem : Dominique Paris
Música : Manu Dibango
Produção : Fado Filmes, Les Films de Mai, Samsa Films

Intérpretes :
Fatou N’Diaye : Vita
Jean-christophe Dollé : Pierre
Angelo Torres : Yano
Bia Gomes : Mère de Vita
Jorge Biague : Mito le Fou
José Carlos Imbombo : Caminho
François Hadji-lazaro : Bjorn
Danielle Evenou : Mère de Pierre

AS DUAS FACES DA GUERRA (2007)

 

 

Luta de libertação para uns, guerra de África para outros: o conflito que, entre 1963 e 1974, opôs o PAIGC às tropas portuguesas é visto, desde logo, de perspectivas diferentes por guineenses e portugueses. Mas não são essas as únicas “duas faces” desta guerra: mais curioso é que, para lá do conflito, houve sempre cumplicidade: “Não fazemos a guerra contra o povo português, mas contra o colonialismo”, disse Amílcar Cabral, e a verdade é que muitos portugueses estavam do lado do PAIGC. Não por acaso, foi na Guiné que cresceu o Movimento dos Capitães que levaria ao 25 de Abril. De novo duas faces: a guerra termina com uma dupla vitória, a independência da Guiné, a democracia para Portugal. É esta “aventura a dois” que queremos contar, pelas vozes dos que a viveram.

Realização: Diana Andringa e Flora Gomes

Narrador : Diana Andringa e Flora Gomes

Imagem : João Ribeiro

som : Armanda Carvalho

Montagem: Bruno Cabral

Misturas de som : Hugo Reis – Pim Pam Pum

Misturas de cor : Andreia Bertini

Secretariado de produção : Isabel Mendes

Produtor : Luís Correia

Projecto desenvolvido com o apoio de Programa MEDIA

Apoiado por ICAM/MC, RTP

 

ZÉ CARLOS SCHWARZ A VOZ DO POVO (2005)

Até poucos anos antes da independência, em 1974, a Guiné-Bissau tinha quinhentos mil habitantes, fragmentados e divididos em 35 etnias. Cada uma delas tinha o seu próprio dialecto, com o qual fazia e cantava a sua própria música a partir de instrumentos tradicionais.

Foi então que um homem decidiu pegar em instrumentos musicais das várias etnias e criou uma forma musical que unificou os guineenses. Este filme retrata a vida de José Carlos Schwarz, poeta e fundador da música moderna da Guiné-Bissau. Com a sua voz e guitarra sempre denunciou o sofrimento do povo guineense, tanto na era colonial como depois da independência, quando se tornou uma voz incómoda para os dirigentes do país. Não podendo ser eliminado fisicamente, por causa da sua reputação, foi afastado do país e nomeado encarregado dos negócios da embaixada da República da Guiné-Bissau em Cuba.

José Carlos morreu num acidente aéreo em Cuba, em 1977, com apenas 27 anos. As suas canções muito poderosas atraíram grandes músicos africanos que cantaram as suas músicas, como é o caso de Bonga (Angola), e Miriam Makeba (África do Sul), entre outros. Esta última chegou a gravar com José Carlos em Nova Iorque, e teve a honra de ficar com a guitarra dele. Hoje, a sua voz continua viva. Na rádio, quando passa música dele, significa que logo vem a notícia de algo grave a acontecer no país.

Duração: 52’

Género: Documentário

Autor/Realizador: Adulai Jamanca

Suporte/Gravação: DVCAM

Língua Original: Português e Crioulo

Fontes:

 

http://www.lxfilmes.com/catalogo/2005/bissau-disabel

http://www.africadoc.org

http://www.festivalcineport.com/2005/imprensa/HUMBERTO_MAURO/CURRICULOS/CurriculosTrofeuHumbertoMauro.doc

http://www2.uol.com.br/mostra/29/p_exib_filme_arquivo_1282.shtml

http://www.lxfilmes.com/catalogo/2007/as-duas-faces-da-guerrathe-two-sides-of-the-warthe-two-sides-of-the-war

http://spot.pcc.edu/~mdembrow/mortu_nega.htm

http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=8875&catogory=Entrevista

http://www.trigon-film.ch/fr/movies/Po_di_sangui

http://www.diplomatie.gouv.fr/fr/actions-france_830/cinema_886/cooperation-cinematographique_5371/aides-production_5622/films-aides_5623/films-aides-par-fonds-sud_5624/guinee-bissau_7344/po-di-sangui_7210/index.html

http://www.diplomatie.gouv.fr/en/france-priorities_1/cinema_2/cinematographic-cooperation_9/production-support-funding_10/films-benefiting-from-aid_13/film-list-by-country_15/guinea-bissau_1349/xime_1384/by-sana-na-n-hada_904.html?var_recherche=sana

Rencontre avec Flora Gomes/ Le Film Africain, n° 16, Maio de 1994


[i] Ver ficha técnica do filme XIME

[ii] Ver ficha técnica do filme BISSAU D’ISABEL

[iii] Ver ficha técnica do filme MORTU NEGA

[iv] Ver ficha técnica do filme OLHOS AZUIS DE YONTA

[v] Ver ficha técnica do filme PÓ DI SANGUI

[vi] Ver ficha técnica do filme NHA FALA

[vii] Ver ficha técnica do filme AS DUAS FACES DA GUERRA

[viii] Ver ficha técnica do filme ZÉ CARLOS SCHWARZ – A VOZ DO POVO

[1] Ver ficha técnica do filme AS DUAS FACES DA GUERRA

[1] Ver ficha técnica do filme ZÉ CARLOS SCHWARZ – A VOZ DO POVO

Filomena Embaló: nasceu em Angola, filha de pais caboverdianos e de nacionalidade guineana. Formou-se em Ciências Económicas na França, ocupou cargos na administração pública da Guiné-Bissau e no estrangeiro. Atualmente, além de contribuir com o  projeto Didinho.org, trabalha em París, na organização intergubernamental União Latina.

HISTORIA DE ANGOLA: O KIMBUNDU, UMA LINGUA EMBLEMATICA

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E o ponto de vista defendido pelo especialista do Congo da margem direita,   Jean de Dieu Nsonde,   na sua nova obra «  Falamos kimbundu. Língua de Angola » que lançara, em Paris,   em algumas semanas, na rua das Escolas, no Bairro Latino, as edições L’Harmattan.

 

Selado no bom formato de 140 paginas este estudo e o seguimento, lógico, dos  notáveis  trabalhos anteriores deste antigo estudante da rigorosa Escola Histórica de Brazzaville.

Com efeito, esse Doutor em história pré – colonial na Universidade de Paris 1, complete com esse último livro, as suas sólidas análises sobre a evolução religiosa, linguística e civilizacional do imenso conjunto federal Kongo e dos seus territórios aliados.

Nsonde, cuja tarefa foi facilita pela similaridade do kikongo e kimbundu, falares considerados, ate, recentemente, variantes de uma mesma língua, que estava, visivelmente, ainda veicular, em Loanda, no século XVI, marca o inicio da diferenciação, mais pronunciada,  entre os dois idiomas, gémeos, a partir da violente fundação da Colónia portuguesa de Angola nas terras do aliado Ndongo, território, igualmente, dos Nzinga.

E, e naturalmente que o kimbundu será arrastado pela dinâmica histórica e se apresenta, hoje, segundo o especialista congolês, actualmente Professor em função em Guadalupe, nas Antilhas francesas, como a língua angolana que, mais, fagocitou, retenções do português. E, será, também, esse idioma que, mais, dará,  à língua de Camões, os seus bantuismos.

E, e sobre o falar dos Ngola que será produzida, mais instrumentos linguísticos : dicionários, glossários, léxicos e gramáticas.

Apreendida, portanto, na pretensiosa colónia, a língua da « Warrior Queen of Matamba » será influenciada pela consolidacao militar deste território, ocupado de forca,   com as suas capacidades de activismo esclavagista e sua imparável primeira evangelização.

A epopeia do idioma dos Mondongos, escravos,   continuara no Golfo de Guiné e no além – Atlântico, num inseparável duo, genérico, congo/angola, com a produção de mesmos suportes de aprendizagem, sobretudo, religiosos ; participando, gradual e finalmente, a formação de crioulos  à base romana ou anglo-saxã.

O dialecto dos Ambundu será convidado, em Angola, pós -Berlim, na literatura com acentos, já, autonomistas.

Os poetas – nacionalistas utilizarão, antes e depois da Segunda Grande Guerra,   a sua impenetrável carga antropológica a fim de exprimir as suas esperanças de liberdade.

INTERCOMPREENSAO

Principal língua bantu em uso na definitiva capital da Colónia e do actual Estado,  independente, a fala da Feira de Cassanje será o que terá, dentre das línguas autóctones, a expansão a mais significativa no território ; consequência do seu papel de pivô nas trocas comerciais com o hinterland.

Outro ganho desta situação administrativa, o kimbundu será a língua, por excelência, da música urbana ; em suma da principal expressão musical nacional e do português particularizado do país.

Veredicto do historiador congolês de Mfwa, instalado nas Caraíbas, o kimbundu e o primeiro idioma bantu falado, hoje, na região de Luanda e nas zonas, rurais, adjacentes.

A sua importância se manterá graças a sua difusão no pacote de Ngola Yetu, a estacão radiofónica, especializada nas línguas nacionais, que emite, em ondas curtas, quer dizer, sobre o conjunto do território nacional ; atingindo, portanto, bem, as comunidades kimbundufonas do Bandundu, no Congo-Kinshasa.

A situação do jargão dos Kisamas e  Dembos perdurara graça, igualmente, a diversos factores de carácter cultural ou politico tais como a sua inclusão no sistema de ensino geral e de formação profissional, ou na administração dos municípios e comunas, assim que a realizacao das campanhas eleitorais.

Com as suas longas bandas de intercompreensão linguística atingindo, pelo menos, seis províncias do pais, a sua persistente colagem ao kikongo, ilustrada, pela reedição do dicionário do Padre Da Silva Maia, sobre as duas línguas aparentadas de Cannecatim, o kimbundu jogara, particularmente, bem, sem dúvida, ao lado dos outros idiomas do pais, o papel de língua bantu para a consolidação da nação angolana.

Por  

Simao SOUINDOULA

Historiador. Perito da UNESCO

Adinkras

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Dentre os saberes desenvolvidos pelos akan – grupo cultural presente no Gana, Costa do Marfim e no Togo, países da África  do Oeste – destaca-se a utilização de um sistema de símbolos para transmitir ideias. Cada símbolo está associado a um  provérbio ou ditado específico, enraizado na experiência dos akan. O conjunto desses símbolos, chamados adinkra, formam  um sistema de preservação e transmissão dos valores acumulados pelos akan. Pode-se dizer que esses símbolos são um tipo  de escritura pictográfica, utilizada amplamente no cotidiano dessa sociedade e que está presente nos tecidos, cerâmica,  arquitetura e em objetos de bronze. Da mesma maneira que os documentos escritos materializam a história nas sociedades  ocidentais, em muitas culturas africanas é a arte que traz o conhecimento do passado até o presente. O símbolo da Casa das Áfricas é um adinkra.

História

A população akan desenvolveu habilidades significativas na tecelagem no século XVI, em Nsoko (hoje Begho), importante  centro de tecelagem. Os adinkra, originalmente produzidos pelos clãs gyaaman, da região Brong, eram de direito exclusivo da  realeza e dos líderes espirituais, e só podiam ser utilizados em cerimônias importantes, tais como funerais – adinkra significa  “adeus”. Durante um conflito militar no início do século XIX, causado pelos gyaaman, que tentavam copiar a “cadeira de ouro”  (símbolo da nação ashanti), o rei gyaaman foi morto. Seu manto adinkra foi tomado por Nana Osei Bonsu-Panyin, o   Ashantehene (rei ashanti), como troféu. Com a túnica, veio o conhecimento da aduru adinkra (tinta especial utilizada no  processo de impressão) e do processo de estampagem de desenhos em panos de algodão. Com o tempo, os ashantis desenvolveram mais a simbologia adinkra, incorporando sua própria filosofia, contos folclóricos e cultura.

Tecidos

Os tecidos ocupam um lugar muito especial na cultura Akan. São utilizados não apenas como vestimenta, mas também como  forma de expressão. Assim, os símbolos adinkra são estampados nos tecidos, para transmitir mensagens. Essa rica tradição  existe desde o século XVII. Inicialmente, as vestimentas com símbolos adinkra eram usadas apenas nas cerimônias fúnebres.  Os símbolos utilizados expressavam as qualidades atribuídas à pessoa que havia morrido. Hoje em dia, os tecidos com  estampas adinkra são usados no dia a dia, mas principalmente em celebrações. Os símbolos são estampados nos tecidos por  meio de uma espécie de carimbo, feito com a casca de cabaças. Este é mergulhado numa tintura feita com cascas de árvores e  pressionado diversas vezes no tecido para criar estampas. Atualmente, tecidos industrializados comemorativos também são  estampados com adinkras. É o caso de um pano produzido por ocasião do falecimento do professor Georges Niangoran  Bouah, grande estudioso da cultura Akan. Recomendamos Adinkra: sabedoria em símbolos africanos de Elisa Larkin

Nascimento e Luiz Carlos Gá. Rio de Janeiro: Pallas, IPEAFRO, 2009.

http://www.adinkra.org/htmls/adinkra_index.htm
http://www.fredsmith.com/

Colaboração do nosso amigo Carlos Souza (Brasil/RJ)

Nicole Rademacher e sua “Terra Comum” (Quénia)

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imagens da obra da Nicole Rademacher

Nossa amiga Nicole Rademacher tem sido convidada a fazer residência artística em Lake Victoria Arts Residency Program (LVARP) na Quénia, nos meses de fevereiro e março de 2012.

Nicole, na sua carreira artística há enfatizado na sua temática, que tem relação com o  registro de rituais domésticos e maneiras de vida das diferentes culturas existentes no mundo. Desta vez, querendo levar além sue desafio, começa esta viagem à Quénia, uma cultura que tal e como ela tem dito “é no suposto muito diferente a minha”. O projeto que vai desenvolver intitula-se “Terra comum”, nome que amostra a pesquisa que ela vai empreender.

Nicole Rademacher é estadunidense, natural de Carolina do Norte e desde faz uns anos mora no Chile.

Escrevo-lhes porque comecei uma campanha on line para arrecadar fundos através da indiegogo.com. Pode-me ajudar de varias maneiras. Tenho vários “presentes” para quem possa doar que são muito bons (cartões postais, impressos, um livro assinado) e além disto, preciso da sua ajuda para ¡¡¡¡DIVULGAR MINHA CAMPANHA!!!

LINK da campanha: http://igg.me/p/43753?a=194290&i=shlk

A melhor maneira de divulgar é faze-lo de boca a boca:

Para MISOSOAFRICA é muito importante que o projeto da Nicole concrete-se porque junto com registrar a atual maneira de viver na cultura queniana, que diariamente é ameaçada com ser modificado por diferentes fatores externos, ela será nosso primeiro contato informativo com o Corno de África.

¡Aguardamos sua ajuda!