Arquivo da categoria: COTIDIANO

23 de Agosto, Dia Internacional da Comemoração do Trafico Negreiro e de sua Abolição – ¡Kalunga Eh! Los Congos de Villa Mella. Património Intangível da Humanidade”

Padrão

Este facto histórico e antropológico revalorizante sobressai claramente na leitura de “¡Kalunga Eh! Los Congos de Villa Mella”, última obra do investigador dominicano Carlos Hernandez Soto. Este livro acaba de ser publicada em Santo Domingo pela Editorial Gráfica.

Compilação de textos estendendo-se sobre 142 páginas, redigidos depois da proclamação pela UNESCO, da Confraria dos Congos de Villa Mella “ Obra Maior do Património Oral e Imaterial da Humanidade “ , esta colectânea é , visivelmente, a continuação de trabalhos anteriores que desembocaram na publicação, anos atrás, de “ Morir en Villa Mella : ritos funerários afro dominicanos “.

Nesta análise de antropologia escatológica, o autor que dirige actualmente o Museu do Homem Dominicano, realça o papel essencial desta estrutura associativa tradicional nas cerimónias funerárias em Villa Mella, região adjacente a capital da parte oriental da antiga Española.

E, Kalunga é a sua principal peça musical e coreográfica assim que o seu grito identificador.

O estudo desta pratica ritual, sobrevivência genericamente kongo, mas na realidade bantu, que integrou , numa dinâmica inevitavelmente sincrética, diversos elementos da religião católica e crenças ioruba e ewe-fon, é feito em seis capítulos.

Hernandez Soto aborde ai, entre outros aspectos, a natureza social e a função espiritual deste reagrupamento fraternal assim que os contornos da sua expressão musical ( cantos e suportes orfanológicos ) e o registro da sua coreografia.

E, num processo comparativo, pouco sistematizado nas Américas e nas Caraíbas, o autor, que é também Professor na Universidade Autónoma de Santo Domingo, atesta a existência do mesmo tipo de confrarias no território gémeo de Haiti e em Cuba, assim que no continente, no Brasil, Panamá e nos Estados Unidos de América, mais precisamente em Nova Orleans.

UNIVERSO ESCATOLOGICO

Como provas linguísticas e antropológicas, nomeadamente congo-angola, o Director do MHD apresenta, oportunamente, no fim da sua obra, um recapitulativo de termos em uso nesta estrutura de solidariedade social.

Reencontra-se, no conjunto das diversas manifestações organizadas, neste quadro, as celebrações de maní, prováveis reminiscências das cerimónias relativas à entronização dos Mani Kongo.

E, a animação de todos os ritos da Confraria é apoiada por, principalmente, instrumentos chamados, genericamente também, congos, congas ou palos. O congo é o tambor maior e o conguito designa o batuque menor.

Quanto aos membros da associação, que devem imperativamente ser músicos ou dançarinos, são naturalmente designados congueros.

Uma das canções rituais (toques), introdutórias, é chamada bembé yagua, provavelmente uma sobrevivência do kikongo bembo nengwa (canção para embalar). E, durante a cerimonia do kumba (separação), entoa-se, entre outros lamentos, o pembé chamaliné (partida pacifica).

Os outros cantos retomados, verdadeiros requiems aeternam, são o bembo koko (reconforto solidário), mamá yungué ou ñungué (berceuse), oh yacabelo (ternura), oh kikondé, (lamento), yacuacila (desamparo), ensilla mi caballo (impotência perante a morte), gayumba eh (salvação) , alé bambó (coragem), ya lo ve (coragem) antonio bangala (fim) e lambé lo deo (comida celeste).

E esta notável continuidade linguística e antropológica, que militou afim que a exigente UNESCO pudesse declarar o conjunto das práticas rituais kongo que se perpetuaram, num sincretismo vivificador, no leste da histórica Española, riqueza cultural universal.

E, o “munsi kalunga“ dominicano considera, a justo titulo, que esta declaração deste organismo da ONU deve, na realidade, alargada a todas as Américas e Caraíbas negras, com, entres outras componentes, a Sociedade Congo, na ilha das Gonaives, no vizinho Haiti; o Congo Reales em Trinidad, em Cuba ; o famoso e indestrutível Congo Square, a qual acrescentou-se, hoje, o nome do celebre jazzman Louis Armstrong ; as representações teatrais congos na sintomática localidade de Cuango, em Panamá e as inevitáveis congadas de Atibaia, no Brasil.

Uma das principais contribuições científicas do antropólogo de Santo Domingo é de ter efectivamente posto em relevo a predominância tomada no universo escatológica bantu, depois da terrível e traumatizante travessia do oceano, pelas crenças hidrogonicas. Com efeito, o ntoto ( terra firme ) e o nzulu ( céu ) , Reino de Deus, elementos fundamentais das culturas de origem, reencontraram-se no alem -Atlântico, relegados no segundo plano, a favor do insondável kalunga ( mar ).

Os africanos encadeados nas insalubres porões dos navios negreiros, ressentiram na seu corpo e na sua alma, a força e a imensidade di nlangu ya mungwa ( agua salgada ).

Com este livrinho de Carlos Hernandez Soto, a Rota do Escravo foi, na verdade, a Viagem sobre o kalunga e a transferência, numa dinâmica verdadeiramente psicoanaleptica, dos seus tenazes mistérios.

AL KHAYMA, a tenda saraui.

Padrão

A tenda (Al Khayma) é considerada como a primeira unidade social na sociedade saraui. Constitui não somente uma unidade espacial que serve de espaço habitacional, mas refere-se também ao conjunto das relações que vinculam os membros de uma mesma família. A tenda, neste sentido, representa o conjunto das relações concretas da família, uma denominação tirada da habitação tradicionalmente construída pelo homem saraui com pelagem de camelo e lã de ovelha.

Depois que a tenda, por muitos anos, refletia os traços de uma vida dura e sinônimo da solidão no saara, hoje ela tem uma nova cara ou significado no Marrocos e ela é uma estimação por todos considerada, simbolizando a modernidade e herança cultural exigendo assim sua reserva permanente.

A tenda saraui ficou mantida embora os saranianos començam, nos centros urbanos, a viver nos apartamentos e casas, mas isso não os afastou da tradição. Muitos vão até pelo menos no final da semana ou nas ferias para montar a tenda.

A diferença que se faz dela para cá, segundo eles, e que as tendas de hoje foram equipadas com todas as necessidades modernas.

Construção

A palavra Al khayma representa o conjunto dos aspectos da relação familiar. Tem a sua origem no lugar tradicional feito pelo homem saraui a partir da pele de camelo e da crina de caprinos.

A tenda (Al khayma) apresenta-se sob a forma de bandas de tecidos chamadas localmente Aflig. O número de bandas varia entre sete e dez. Estas bandas são cosidas com uma grande agulha chamada Mkhit e um fio da mesma textura das bandas, chamado Khit Annira.

Para medir o comprimento dos fios, os sarauis enrolam-nos em torno dos seus braços. O comprimento de cada medida de fio situa-se entre catorze e dezasseis braços. A sua largura está compreendida, em geral, entre um braço e meio a dois braços.

A tenda (Al khayma) é armada em seguida com duas vigas chamadas Arkayiz, instaladas nas duas extremidades opostas. Estas duas vigas são ligadas entre si por uma corda chamada Al hamar.

A tenda (Al khayma) é fixada em seguida no solo com piques, chamados Akhwalef. Estes piques são dispostos em círculo com uma Lakfiya.

Depois de ser instalada a entrada, a tenda é dividida em dois compartimentos por uma Albaniya. O primeiro espaço é destinado aos homens enquanto que o segundo é reservado às mulheres. A tradição exige que a entrada da tenda esteja situada no lado Sul, em direcção à Meca (Al gabla).

Al gabla é de utilidade geográfica, mas determina, sobretudo, um conceito civilizacional de ordem económica, política, cultural e social.

REF: Site Cultural do Saara

IMAGEM 1: pozuelo.saharalibre.es

PALESTRAS UNESCO/TRIANGULO KANAWA DESCENTRALIZADAS – DECENIO 2012/2022 DOS AFRODESCENDENTES

Padrão

 

Por Simão SOUINDOULA


O ciclo de conferências que estava a ser cumprido pelo historiador Simão Souindoula, do Comité Cientifico Internacional do Projeto onusiano da “Rota do Escravo”, na sede da União dos Escritores Angolanos, será descentralizado ao nível da cidade de Luanda.

Esta opção decorre de pedido de vários grupos de estudantes e do público que conseguiam assistir a essas preleções.

O início desta nova etapa de encontros e marcado para o dia 27 de Julho próximo, a partir das 16 horas, no Complexo Turístico Calor Tropical, sito na autoestrada da Samba.

O perito da UNESCO abordara o inédito tema:   “ A Rota ibérica da Escravatura. Portugueses leuco-dermes atestam genes bantu.”

Realçara o facto, de Portugal, nação, singularmente, expansionista, instalou, já, nos meados do século XV, contingentes de cativos negros vindos, a partir de 1441, das costas de Africa ocidental.

Esta mão-de-obra, tornada indispensável, aumentara, substancialmente, ate atingir nos meados do seculo XVI, 10% da população de Lisboa.

E, em 1700, estima-se a população escrava na aglomeração da embocadura do Tage a 30 000 indivíduos.

 Esta evolução terá efeitos antropobiológicos na população portuguesa.

Com efeito, o exame da cartografia do gene HBB  S, responsável de uma doença hematológica virtualmente ausente das populações da Europa setentrional e central, permite constatar a sua predominância ao sul de Portugal, particularmente nos vales do Sado e Sorraia.

A classificação desta componente do cromossoma, constituído de um elemento de ADN, coincida, curiosamente, com o tríptico esclavagista de Africa ocidental com, nomeadamente, a distinção bantu; este ultimo registro fazendo referencia, para o essencial, ao atual território angolano: o vasto Reino do Congo e os seus territórios aliados assim que a antiga Colónia portuguesa de Angola.

 A sessão é aberta ao público; com um convite especial aos estudantes da Universidade Independente de Angola.

 

HISTÓRIA DE AFRICA – MANUAL PARA ESTUDANTES BRASILEIROS, INCLUI A EVOLUÇÃO DE ANGOLA

Padrão

Por Simão Souindoula (Angola)

O facto e assentado no livro da Leila Leite Hernandez, intitulado “A Africa na sala de aula. Visita a Historia Contemporânea”, que acaba de ser republicado, em São Paulo, na sua segunda remessa, nas edições Selo Negro.

A autora recorda, naturalmente, sobre o Quadrilátero, o seu desenvolvimento proto-histórico, esclavagista e colonial, e propõe, em ultimo tratamento do tema do seu trabalho, a sua visão do período pós-independência do pais.

Selada num consistente bloco que se estala em 674 páginas, esta publicação e repartida numa quinzena de capítulos, na qual a antiga Professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, analisa, entre outras circunstâncias, a repartição cartográfica do continente niger em Berlim, nos cruciais meados do seculo XIX, a gradual instalação do sistema colonial, com as suas variantes, as suicidárias tentativas de políticas de assimilação ou de indigenização e os inevitáveis movimentos de resistência politica, social e cultural.

A memorialista paulistana aborda toda esta evolução no contexto marcado pela dinâmica do perspicaz pan-africanismo, os efeitos irreversíveis das duas Grandes Guerras na formulação das revindicações autonomistas, os diferentes processos de obtenção das liberdades e a teia do tenebroso apartheid.

Fixa a síntese sobre Angola no contexto da obstinada consolidação do Ultracolonialismo português, que foi favorecida pelo contínuo enfraquecimento das formações politicas que formam, hoje, Angola.

Nota, para o efeito, a severa derrota de Ambuila, em outubro de 1665, que destabilizou, definitivamente, a Federação. A investigadora da Universidade de São Paulo comprova que tropas brasileiras contribuíram no desastre kongo.

Aponta, igualmente, o desregrado tráfico de escravos que, segundo ele, envolveu, só no ano de 1530, cerca de 4000 cativos de Pinda e Angola.

Os muleques resistiram a neoescravidão que sucedeu, nitidamente, na segunda metade do seculo XIX, ao terror esclavagista.

Serão, então, registados, centenas de revoltas como, por exemplo, no Bailundo, em 1902, contra o trabalho forcado, a oposição liderada por Tulante Buta contra a exportação de contratados para São Tome, de 1913 a 1917; e a revolta do Amboim, em 1917, quando os Seles e os Bailundos rebelaram-se contra a expropriação das suas terras e o trabalho obrigatório.

A especialista brasileira assinala outras rebeliões, as ocorridas no Huambo, Congo, Humbe, nos Ovambo e nos Dembos.

DOS JORNAIS AS ARMAS

Esta atitude geral de contraposição anticolonial teve a sua declinação, inteligente, nos meios urbanos com a criação de associações, ligas e grémios, assim como, o lançamento de vários periódicos.

E, este contexto que dará origem a dezenas estruturas politicas, independentistas, clandestinas, quase todas, logicamente, de esquerda.

Essas organizações provocarão a previsível Grande Revolta Autonomista, tríptico, ocorrida no setentrião angolano, no oportuno primeiro trimestre de 1961.

Esta servira de forte alicerce moral ao nacionalismo angolano no seu progresso político, diplomático e militar, assim como, nas suas tentativas de convergência, que desembocara na independência do pais e na sua inabalável luta contra os neo Códigos Negros, na Azania. Há uma dezena de anos, a alforria arrancada, heroicamente, foi consolidada.

A pedagoga sul-americana inclui, na sua obra, em anexos, vários documentos como mapas indicativos das resistências dos Hereros e Ovambos, no início do seculo XX.

Utilizou um conjunto de fontes bibliográficas, impressionante, dentre das quais podemos assinalar, “A campanha de cuamatos” de David Martins Lima, publicado em 1908, “Angola” por Kwame Nkrumah, no crucial ano de 1962, “Estórias de contratados” de Costa Andrade, “Dos jornais as armas: trajetórias da contestação angolana” do afro-baiano Marcelo Bittencourt.

A obra, “A Africa na sala de aula. Visita a Historia Contemporânea”, que da um previsível relevo a Angola, confirma a consistência histórica das múltiplas relações, seculares, mantidas entre os dois territórios, quase paralelos do Atlântico sul.

E, o animador episódio deste relacionamento, na história recente, foi o valente reconhecimento, primus inter …, da emancipação do Quadrilátero pelo Itamaraty.

Simão Souindoula é angolano. Historiador, atualmente faz parte do Comité Cientifico Internacional da UNESCO e do proyecto “Rota do Escravo”.

CALDO DE MANCARRA – Guiné-Bissau

Padrão

Ingredientes:

1 frango
1 cebola grande
1 limão
250 gr. de mancarra (amendoim)
3 tomats vermelhos
1 dl de água
Sal e piripiri
Preparação:

Limpa-se o frango e corta-se aos bocados. Tempera-se com sal piripiri e a cebola às rodelas. Vai ao lume brando, com um pouco de água, para cozer (fica quase sem molho). À parte, pisa-se o amendoim num almofariz, o mais fino possível. Misturam-se os tomates até fazer uma pasta. Deita-se então a água quente e mexe-se para desfazer bem. Passa-se por um passador de rede, e adiciona-se o líquido ao frango. Ferve-se um pouco para apurar. Ao retira do lume, rega-se com sumo de limão.

Ruanda: Histórias de um genocídio.

Padrão

Segundo a ONU, mais de 800.000 pessoas morreram assassinadas só em 100 días, no que se conhece como “Genocídio em Ruanda”. Conheça aqui as histórias dos protagonistas.

Fuente: youtube/7 billion others

Janet Wambui Kabue – Desde Quênia

Padrão

Meu nome é Janet Wambui Kabue, nascida e criada em Thika, Quênia.

Quando uma criança nasce na comunidade Kikuyu (minha comunidade), o nome é dado de acordo com a linha familiar do marido, que tem prioridade.  Foi assim que ao ter sido a quinta filha da família- minhas irmãs e irmãos já tinham sido chamados com os nomes dos pais do meu pai- fui chamada como a irmã do meu pai,  a tía Janet.  Isto nos primeiros dois nomes, o terceiro nome é do meu pai.

O maior tesouro  que tenho na minha vida, é ter sido criada numa aldeia. Ali eu vivi a vida na sua completitude, desde crescer junto aos meus parentes até andar quilómetros para ir à escola, e ficar perto da natureza.

Janet Wambui Kabue é natural da Quênia e atualmente mora em Nairobi.  Com este primeiro texto de tipo  biográfico, começa sua colaboração com a MISOSOAFRICA, na sua experiência  cotidiana como habitante do Corno de África.   

LER EM INGLÊS (ORIGINAL)

LER EM ESPANHOL

Sugestões são aceitas para esta versão em Português.   

Mapa atualizado da África – 2012

Padrão

Para os nossos amigos da MISOSOAFRICAPT, uma versão atualizada do mapa de África 2012. Inclui a República Saraui e o novo país: Sudão do Sul.

Esperamos gostem!

(Para enxergar melhor os nomes, deve clicar acima do mapa)

mapa_africa-pt1

Pitche-Patche de Ostras

Padrão

 

Ingredientes:

  • 1 dl de óleo de amendoim
  • 1 kg de ostras
  • 3 tomates médios maduros
  • 70 grs de arroz carolino
  • 2 dentes de alho
  • 1 limão
  • 1 cebola grande
  • sal q.b.
  • piripiri q.b.

Confecção:

Em primeiro lugar põe-se o arroz de molho em água fria durante 15 minutos. 
Retira-se da água e põe-se num pano de cozinha e com o rolo da massa ou uma garrafa pisa-se para o partir. 
Leve um tacho ao lume com o óleo, a cebola e dentes de alho picados. Junte o tomate limpo de peles e sementes a refogar. 
Assim que a cebola amolecer junta-se o arroz partido e refoga-se mais um pouco. 
Adiciona-se água suficiente para o caldo (+- 1 litro e meio de água) e a água das ostras coada por um pano fino, que antecipadamente abriu com uma faca própria. 
Deixe levantar fervura e misture as ostras. 
Depois das ostras cozidas retire o tacho do lume e regue com sumo de limão. 
Sirva quente.