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Guiné-Bissau, 39 anos de independência?

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Por Eugénio Costa Almeida

“A Guiné-Bissau comemora – ou comemoraria – hoje [24 de Setembro] o seu 39º aniversário de independência.

Escrevo comemoraria, porque tal como o seu vizinho Mali, está sob a “protecção” de terceiros que, aproveitando um eventual Coup d’État – que muitos consideram uma oportuna e bem montada intentona – se “apoderaram” da vida política, social e, principalmente, militar do País.

De facto, tal como o Mali – com a grave particularidade de este estar já cindido sem que a UA e a CEEAO nada efectivamente façam – a Guiné-Bissau está sob domínio de pseudo-potências que só conseguem manter o seu actual status quo através de patrocínios, com maior ou menor evidência, de Golpes de Estado.

Quantas vezes o Senegal já tentou intervir, directamente, nas questões Bissau-guineenses e das anteriores vezes que isso aconteceu foi copiosamente derrotado?

Quantas vezes os vizinhos de Bissau tentaram impor as suas regras políticas e de todas elas os guineenses aplicaram o chamado “xuto no cu” aos potenciais “imperadores locais”?

Só o conseguiram agora através do patrocínio “descomplexado” dos subservientes senhores que dominam a actual CEEAO e com o pouco discreto beneplácito da União Africana.

Talvez que o 40º aniversário seja mesmo comemorado e em plena liberdade!”

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CALDO DE MANCARRA – Guiné-Bissau

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Ingredientes:

1 frango
1 cebola grande
1 limão
250 gr. de mancarra (amendoim)
3 tomats vermelhos
1 dl de água
Sal e piripiri
Preparação:

Limpa-se o frango e corta-se aos bocados. Tempera-se com sal piripiri e a cebola às rodelas. Vai ao lume brando, com um pouco de água, para cozer (fica quase sem molho). À parte, pisa-se o amendoim num almofariz, o mais fino possível. Misturam-se os tomates até fazer uma pasta. Deita-se então a água quente e mexe-se para desfazer bem. Passa-se por um passador de rede, e adiciona-se o líquido ao frango. Ferve-se um pouco para apurar. Ao retira do lume, rega-se com sumo de limão.

António Aly Silva foi liberado na Guiné-Bissau

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Por António Aly Silva

“Mais de um milhão de guineenses estão reféns de militares… guineenses. Temos sido sacudidos e violentados, usurpam e tolhem-nos os nossos direitos, até o mais básico. Até quando mais a comunidade internacional vai tolerar que gente medíocre – alguma classe política, e militar faça refém todo um povo? A história endossará uma boa parte da responsabilidade à comunidade internacional.
Ajudem o povo da Guiné-Bissau; não os abandonem, agora, mais do que nunca. Tiveram todos os sinais de que uma insurreição era possível, ainda que desnecessária. Nada justifica o levantar das armas, é intolerável o disparo de armas pesadas numa cidade com mais de quatrocentas mil pessoas. É criminoso, acima de tudo. Tiveram tudo para estancar a hemorragia e a orgia de violência. Sabem há muito que este é um país que nasceu, cresceu e vive sob laivos de militarismo.
Agora, tudo está calmo. Não há tiros, nem feridos nas urgências e menos ainda corpos na morgue resultado de mais uma brutalidade da canalha. Não se sabe quem morreu – espero e desejo que ninguém tenha sido morto. Um país é o último, e único, refúgio seguro para o seu povo. Foi traumatizante ver mulheres e crianças a chorar; é triste ver homens e jovens a fugir de homens e jovens como eles. É desolador. Estou abatido, e, sobretudo cansado. Não tenho sequer forças para gritar.
Olho e registo tudo. Depois escrevo, na certeza de que alguém me vai ler e comungar dos mesmos sentimentos. O meu blogue, hoje, foi já acessado por mais de 50 mil pessoas. Ficará para a estatística. Teria preferido uma visita por dia, a ter de suportar cem mil pares de olhos tristes e enevoados: estão a matar-nos, estão a destruir as famílias, a tornar as crianças violentas.
O pior da Guiné-Bissau, meus caros… é o guineense!

Um abraço a todos.”

REF: Texto Publicado no Alto Hama, pelo Jornalista Orlando Castro

Por falta de alvos convencionais, os militares da Guiné-Bissau… matam-se uns aos outros!

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Por Orlando Castro (Portugal)

Combates entre duas facções das Forças Armadas da Guiné-Bissau obrigaram o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, a procurar abrigo numa embaixada estrangeira. Não, não foi agora. Mas também não foi há muito tempo. Foi apenas em Dezembro passado.

Testemunhas disseram na altura que se ouviram tiros de armas automáticas e que foram lançados rockets na base de Santa Luzia, em Bissau. “Aparentemente, é uma disputa entre o chefe do Exército [general António Indjai] e o chefe da marinha [Américo Bubo Na Tchuto]”, disse à Reuters um diplomata que não quis ser identificado.

“O meu nome sempre é associado à confusão. Mas, posso dizer ao país que não tenho nada a ver com o que se estará a passar. Foi o próprio chefe do Estado-Maior (António Indjai) que me ligou, esta manhã, a perguntar se seriam os meus homens que tentaram atacar o paiol, ao que lhe respondi que não são os meus homens e não tenho nada a ver com tudo isso”, disse Bubo Na Tchuto aos jornalistas.

E a Guiné-Bissau é mesmo isto. De golpe em golpe até ao golpe final de um país que há muito tende a deixar de o ser, perante a hipocrisia do Mundo, mas sobretudo desse elefante branco que dá pelo nome de Comunidade de Países de Língua Portuguesa, CPLP.

Mas tudo isto tem uma razão. Entre os países classificados como sendo regimes autoritários, a Guiné-Bissau está na posição 157. Para termo de comparação registe-se que  Angola figura no 133º lugar.

Em matéria de corrupção, a Guiné-Bissau foi incluída no grupo dos 30 países mais corruptos à luz do Índice de Percepção da Transparência Internacional, estando no 154º lugar.

Segundo o relatório do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), em cada 1.000 nascidos vivos, morrem 192,6 na Guiné-Bissau (só ultrapassada por Afeganistão e Chade), 160,5 em Angola e 141,9 em Moçambique.

Ainda no capítulo da saúde materno-infantil, 1.000 em cada 100.000 mulheres na Guiné-Bissau morrem no parto (pior registo só no Afeganistão e no Chade).

E, para bem dos guineenses – sendo que dois em cada três vivem na pobreza absoluta – , é mesmo necessário, diria mais do que urgente, que alguém (UE, EUA, CEDEAO) dê um murro na mesa e obrigue os poucos que têm cada vez mais milhões a trabalhar para os “milhões” que têm cada vez menos.

Esse murro na mesa deveria ser dado pela CPLP, mas essa “coisa” é a prova provada de que quem nada faz… nunca erra.

Quando se sabe, e a CPLP sabe-o bem, que a Guiné-Bissau regista a terceira taxa mais elevada de mortalidade infantil no mundo, fica a ideia de que afinal todos se estão nas tintas para os guineenses.

De facto, sempre que alguém tem coragem de falar verdade (nunca é o caso de Portugal ou da CPLP), fica a saber-se que para além de envergonharem as autoridades guineenses – mostram a hipocrisia que reina nos areópagos das principais capitais da CPLP, a começar por Lisboa.

Será que a CPLP aceita calma e serenamente, como até agora, que a esperança de vida à nascença para um guineense seja de “apenas”  45 anos?

Será que a CPLP aceita calma e serenamente, como até agora, que apesar da miséria os líderes guineenses continuem a saborear várias refeições por dia, esquecendo que na mesma rua há gente que foi gerada com fome, nasceu com fome e morre com fome?

Será que a CPLP aceita calma e serenamente, como até agora, que é possível enganar toda a gente durante todo o tempo?

Sei que Portugal, tal como outros, continua a aliviar a consciência (se é que a tem) mandando peixe para a Guiné-Bissau. No entanto, o que os guineenses precisam é tão só de quem os ensine a pescar.

Sei que Portugal continua, tal como outros, a mandar antibióticos para a Guiné-Bissau. Esquece-se, sobretudo porque tem a barriga cheia, que esses medicamentos só devem ser tomados depois de uma coisa essencial que os guineenses não têm: refeições.

Portugal, já que a CPLP é uma miragem flutuante nos luxuosos areópagos da política de língua portuguesa, deveria dar força à única tese viável e que há muito foi defendida (pelo menos desde Junho de 2009) por Francisco Fadul e que aponta, enquanto é tempo, para “o envio de uma força multinacional, de intervenção que garantisse aquilo que é protegido pela Carta da ONU, que é a democracia e os Direitos Humanos”.

Ao que parece, tanto os políticos guineenses como os donos do poder na comunidade internacional (CPLP, Portugal e similares) continuam pouco ou nada preocupados com o que se passa na Guiné-Bissau.

“É necessária a intervenção de uma força multinacional militar, policial e administrativa na Guiné-Bissau para a manutenção da ordem, a pacificação social e a vigilância sobre o funcionamento dos órgãos do Estado”, disse Francisco Fadul.

Na altura, Junho de 2009, tinha surgido mais onde de violência onde as forças de segurança mataram os ex-ministros Hélder Proença e Baciro Dabó, este último então candidato à Presidência, por alegado envolvimento numa tentativa de golpe de Estado.

Para Francisco Fadul, “mais uma vez foi reconfirmado que o Estado se tornou um fiasco, falhou, não existe na prática porque não é capaz de zelar pelos interesses dos cidadãos, pela preservação da ordem mínima”.

“Nem sequer tem eficácia para conter os usurpadores do poder ou os bandos armados que estão a actuar no país”, disse Francisco Fadul, acrescentando que estes grupos são “autênticos esquadrões a soldo de chefes militares”.

“Não se trata de bandos indefinidos, desconhecidos”, reiterou, frisando não acreditar “na teoria da tentativa de golpe de Estado”.

“É a falta de cultura histórica e política que os faz falar assim e tentar convencer as pessoas, pensando que os outros são um grupo de patetas. É clássico o que eles fizeram, em todos os totalitarismos aparecem sempre denúncias de golpe de Estado para permitir o abuso da autoridade, o excesso de poder em relação aos adversários políticos”, declarou.

“Apresentam, como é tradicional, uma lista de suspeitos, de supostos implicados, e uma lista de objectivos a atingir pelos alegados golpistas”, referiu, considerando que tudo não passa de “balelas, de armação política para justificar uma acção destruidora, completamente totalitária sobre os adversários políticos”.

“O Estado não pode transformar-se em criminoso, se assim procede é porque está nas mãos de criminosos”, afirmou.

Segundo Francisco Fadul, “como sempre acontece em África, quando acontecem estas barbaridades os possíveis responsáveis morais nunca estão no país”.

“Como se o facto de estarem ausentes os ilibasse de responsabilidades”, lamentou.

Eu sei que essa coisa da memória é uma constante chatice. Tal como a coluna vertebral e os tomates. Mas, mesmo assim, respeitando todos aqueles, e são cada vez mais, que não têm esses predicados, continuo a valorizá-los como membro de uma minoria.

Recordo-me que o chefe do Estado Maior General das Forças Armadas portuguesas (CEMGFA) considerou em 24 de Setembro de 2008 estarem criadas as bases da doutrina militar para o emprego de uma força conjunta da CPLP.

Luís Valença Pinto regozijou-se na altura com a participação, pela primeira vez, de forças de todos os países que compõem a CPLP no exercício FELINO concluído então na área militar de S. Jacinto, em Portugal.

No balanço que fez desse exercício conjunto, o CEMGFA considerou que o FELINO 2008 permitiu lançar as bases de doutrina militar para criar uma força conjunta que possa ser activada para missões de paz, sob a égide das Nações Unidas.

Será que o que se tem passado, o que se passa e que se virá a passar na Guiné-Bissau não justifica a activação dessa força?

O CEMGFA salientou que, devido à cooperação militar, seria viável até aqui uma intervenção bilateral ou trilateral, mas não a oito, do ponto de vista militar, dada a necessidade de harmonizar conceitos, técnicas e tácticas, que foi o objectivo do FELINO 2008.

Volto a perguntar: Será que o que se tem passado, o que se passa e que se virá a passar na Guiné-Bissau não justifica a activação dessa força?

No terreno desde 2000, os FELINO visam treinar o planeamento, a conduta e o controlo de operações no quadro da actuação de resposta a uma situação de crise ou guerra não convencional, por parte das Forças Armadas dos estados-membros da CPLP.

Em teoria, e é só disso que vive a CPLP, as forças FELINO  poderiam actuar por livre iniciativa da CPLP quando a situação é de crise num dos seus estados-membros.

Em termos políticos, de acordo com o especialista angolano em Relações Internacionais Eugénio Costa Almeida, “o grande problema da CPLP é não ter, ao contrário da britânica Commonwealth ou da Communauté Française, um Estado com capacidade de projecção e liderança que defina e determine as linhas de actuação da Comunidade, tal como faz Londres ou Paris”.

O facto, “ainda não ultrapassado e se calhar de difícil solução, de a CPLP não falar a uma só voz, de não ter uma voz de comando que determine o rumo a seguir, leva a que, em situações de crise num dos seus membros, sejam terceiros a resolver o problema”, diz Eugénio Costa Almeida.

E enquanto os militares da CPLP brincam aos… militares, na Guiné-Bissau os militares, ou similares, vão-se exercitando com as AK-47 e por falta de alvos convencionais… matam-se uns aos outros.

Eleições presidenciais antecipadas na Guiné-Bissau

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Afonso Té, Baciro Djá e Luís Nancassa constam nos boletins de votos das eleições presidenciais guineenses de 18 de março. Considerados candidatos de menor visibilidade fazem um apelo comum à estabilidade.

Longe da popularidade que têm candidatos às eleições presidenciais guineenses como Kumba Ialá, Carlos Gomes Júnior, Henrique Rosa ou Serifo Nhamadjo, perfilam-se três outros homens na corrida presidencial. Têm diferentes percursos políticos, pessoais e profissionais. Em comum têm a ambição de presidir a uma Guiné-Bissau em clima de estabilidade que permita acelerar o ritmo de desenvolvimento do país.

 

Afonso Té

Tendo feito toda a sua carreira nas Forças Armadas guineenses, Afonso Té foi vice-chefe do Estado Maior General das Forças Armadas no tempo do presidente Nino Vieira. Após a guerra civil de 1998, que pôs termo ao regime de Nino Vieira, Afonso Té dedicou-se ao comércio e à política ativa.

Palácio presidencial guineense

O candidato concorre às eleições presidenciais antecipadas de 18 de março pelo PRID, Partido Republicano da Independência e Desenvolvimento, embora a atual direção do partido não o reconheça.

Afonso Té garante que, caso seja eleito presidente, pode garantir a estabilidade nas Forças Armadas do país, o que até hoje se tem revelado como o maior entrave no processo de desenvolvimento da Guiné-Bissau. Tido pelas pessoas que lhe são próximas como um homem discreto e intelectual, Afonso Té regressou a Bissau no dia 11 de março, vindo da Suíça, tendo perdido oito dias de campanha eleitoral.

Baciro Djá

Atual ministro da Defesa e ex-ministro da Juventude, Baciro Djá candidata-se como independente, apesar de ser membro do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde). O partido no poder na Guiné-Bissau deposita o apoio no candidato Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro em exercício.

Guineenses vão eleger o próximo Presidente da República entre 9 candidatos.

Antigo presidente do Instituto Nacional de Defesa, Baciro Djá define-se como um homem “profundamente reformista” e justifica dizendo: “Eu iniciei a reforma no setor da defesa e segurança. Todo o guineense sabe que eu sou reformista.”

O candidato presidencial defende para o país mais “bem-estar, porque é possível que na Guiné-Bissau haja educação, saúde para todos” e ainda a diminuição da mortalidade infantil.

Baciro Djá lança críticas ao aparelho de estado guineense, considerando que está “engarrafado de pessoas que há muitos anos, há [por exemplo] 40 anos, estão a servir o estado, mas não têm criatividade”. Baciro Djá quer uma lufada de ar fresco na Guiné-Bissau: “há jovens que saíram das universidades da Europa, com uma nova dinâmica, com uma nova energia, que podem contribuir para uma nova cultura de gestão ou uma nova cultura democrática”, sustenta.

Baciro Djá desempenhou já várias funções e cargos na administração pública, nomeadamente de secretário executivo do Instituto da Juventude, presidente do Instituto Nacional de Defesa e Segurança e foi também coordenador do comité de pilotagem do setor da reforma.

As eleições presidenciais antecipadas na Guiné-Bissau realizam-se a 18 de março, na sequência da morte do anterior presidente Malam Bacai Sanhá

O candidato de 39 anos licenciou-se em Psicologia pela Universidade de Havana em 1997 e é mestrado pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada, de Lisboa, em 2000.

Luís Nancassa

O professor e presidente do sindicato dos professores, Luís Nancassa, concorre como independente às presidenciais de 18 de março. A sua campanha enfrenta dificuldades em termos de recursos. Por exemplo, há poucos cartazes na rua para apelar ao voto na sua candidatura e faltam meios para fazer t-hirts de campanha.

Também aluno da faculdade de Direito de Bissau, Luís Nancassa promete, caso seja eleito, proporcionar um ensino de qualidade aos guineenses.

Autor: Braima Darame (Bissau)
Edição: Glória Sousa / Renate Krieger

Cinema da Guiné-Bissau – Filomena Embaló

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Por Filomena Embaló

O presente trabalho tem como fim apresentar, num único documento, um panorama geral sobre a cinematografia da Guiné-Bissau, através de uma recolha o mais completa quanto me foi possível de informações esparsas, sem no entanto ter a pretensão de ser exaustiva. A contradição entre certos dados encontrados pode ter levado a eventuais imprecisões. Assim, complementos, correcções e precisões serão bem-vindos.

O cinema da Guiné-Bissau

Foi preciso a Guiné-Bissau existir como Estado independente para que a 7a Arte passasse a integrar o património cultural nacional. Com efeito, foi já na segunda metade da década de setenta do século XX que surgiram as primeiras produções cinematográficas nacionais pela câmaras dos realizadores guineenses Sana Na N’Hada e Flora Gomes. As primeiras obras pioneiras foram as curtas-metragens “O regresso de Cabral” (1976) e “Anos no oça luta”  (1976), duas co-realizações dos dois cineastas. A longa-metragem surgiu mais tarde, em 1987 com a belíssima e muito premiada obra de Flora Gomes “Morto Nega”.

Num país com as limitações da Guiné-Bissau, o desenvolvimento do cinema deparou-se sempre com dificuldades de vária ordem. O Instituto Nacional de Cinema (INC), criado pouco depois da independência, nunca foi dotado de uma política de cinema nem dos meios necessários para apoiar eficazmente o desenvolvimento da realização cinematográfica do país. Ele teve no entanto o mérito de apoiar e enquadrar os primeiros passos dos jovens realizadores de então Hoje, o INC, reactivado em Setembro de 2003 após década e meia de abandono, está “apostado em relançar todas as actividades relacionadas com o cinema”, incluindo a dotação de uma sala de cinema digna desse nome.

Apesar de um cenário caótico de apoio ao cinema nacional, este desenvolveu-se graças  à persistência e vontade própria de Flora Gomes e Sana Na N’Hada, que num verdadeiro “percurso de combatente” conseguiram reunir meios e condições para se afirmarem profissionalmente, tanto a nível interno como internacional, promovendo assim uma cinematografia nacional que reúne 15 realizações de que muito nos podemos orgulhar. De notar que, não havendo actores profissionais de cinema, tiveram que recorrer a amadores que no entanto souberam estar à altura do desafio que se lhes lançava. A premiação de Bia Gomes (Morto Nega) em dois festivais (Menção Especial para a Melhor Actriz no Festival de Ouagadougou e o Prémio de Melhor Actriz no Festival Internacional de Cartago) e de Maysa Marta (Olhos azuis de Yonta, Prémio da Melhor Actriz no Festival de Ouagadougou) são bem a prova do reconhecimento da actuação destas duas actrizes nacionais.

Flora Gomes e Sana Na N’Hada foram durante muitos anos os únicos realizadores da Guiné-Bissau. Em 2005 o jovem Adulai Jamanca veio reforçar a equipa dos realizadores bissau-guineenses com um primeiro filme documentário. Outros valores se perfilam num horizonte que se espera próximo, como veremos mais à frente.

1. A cinematografia de Sana Na N’Hada

 

Sana Na N’Hada, o primeiro realizador da história do cinema bissau-guineense, nasceu em Enxalé, na Guiné-Bissau, em 1950 e completou os estudos secundários em Cuba. Formou-se em Cinema pelo Instituto Cubano de Artes e Indústria Cinematográfica, tendo também cursado no Instituto de Altos Estudos Cinematográficos (IDHEC), em Paris. Em 1979 foi Director do Instituto Nacional de Cinema da Guiné-Bissau.

Foi na década de 1970 que Na N’Hada deu início à sua carreira de realizador com a produção de curtas metragens:  “O regresso de Cabral” (1976), “Anos no oça luta” (1976), ambas em co-realização com Flora Gomes, “Os dias de Ancono” (1979) e “Fanado” (1984). Em 1994 realiza a sua primeira longa metragem com o filme “Xime[i], que esteve em competição oficial nesse mesmo ano no Festival de Cannes, na secção Un certain regard.

Em 2005, realiza o documentário “Bissau d’Isabel[ii] que foi galardoado com o Prémio Revelação (RTP África) no ’05 Festival Imagens, em Cabo Verde no ano de 2005. O filme foi também exibido em diversos outros festivais e mostras de cinema:  Mostralíngua – Festival de Cinema de Coimbra, Portugal (2007); Biblioteca Municipal Dr. Fernando Piteira Santos na Amadora, Portugal (2007); … E África aqui tão perto – Programação do Museu Nacional do Traje e da Moda em Lisboa, Portugal (2007); IV Festival de Cine Africano Tarifa em Espanha (2007); Festival Internacional do Filme Documental de Guangzhou, na China (2006); Cineport – II Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa (2006) e na RTP África em 2005 e 2006.

2. Cinematografia de Flora Gomes

Flora Gomes nasceu em Cadique, na Guiné-Bissau e estudou Cinema em Cuba, no Instituto Cubano de Artes e Indústria Cinematográfica e no Senegal, sob orientação de um dos mestres do cinema africano, Paulino Soumarou-Vieyra. Trabalhou como repórter para o Ministério da Informação.

Flora Gomes iniciou a sua carreira ao lado de Sana Na N’Hada co-realizando com este duas curtas metragens:  “O regresso de Cabral” (1976), “Anos no oça luta” (1976). Continuando a sua carreira, realizou ainda a média metragem “A reconstrução” (1977) com Sérgio Pina e “N’Trudu”.

Em 1987, Flora Gomes lança-se com sucesso na realização de longas-metragens. Com “Mortu Nega[iii], a primeira longa-metragem do cinema bissau-guineense, o realizador propulsa-se na cena internacional com a premiação deste filme em quatro festivais nesse mesmo ano: duas Menções Especiais no prestigiado Festival Internacional de Veneza; Prémio Oumarou Ganda para o Melhor Primeiro Filme no Festival de Ouagadougou no Burkina Faso, Tanit de Bronze no Festival Internacional de Cartago na Tunísia e Prémio Especial no Festival de Khouribga, em Marrocos. Bia Gomes, a actriz estreante que brilhantemente desempenhou o papel da protagonista do filme, obteve a Menção Especial para a Melhor Actriz no Festival de Ouagadougou e o Prémio de Melhor Actriz no Festival Internacional de Cartago.

 

Olhos azuis de Yonta[iv], a sua segunda longa metragem realizada em 1991, é o primeiro filme de um realizador bissau-guineense a participar na Selecção Oficial do Festival de Cannes em 1992, na secção Un Certain Regard. Nesse mesmo ano, o filme é premiado em seis outros festivais: Tanit de Bronze e Prémio OUA no Festival Internacional de Cartago; Melhor Retrato da Sociedade Africana no Festival de Cinema Africano de Milão;  Prémio Especial do Júri, no Festival de Salónica, na Grécia;  Primeiro Prémio no Festival dos Filmes em Línguas de Difusão Restrita, organizado em Zarautz, na Espanha e Prémio do Público no Festival Internacional de Filmes de Wurzburg, na Alemanha. Maysa Marta recebeu o  Prémio da Melhor Actriz no Festival de Ouagadougou pelo seu desempenho.

Em 1994 e 1995, Flora Gomes realiza duas curtas metragens, respectivamente “ A Máscara” e “A identificação de um país”.

A sua terceira longa metragem, “Po de sangui[v] surge em 1996, tendo também participado na competição oficial do Festival de Cannes desse mesmo ano, bem como no Festival de Cartago onde recebeu o Tanit de Prata.  O filme foi igualmente galardoado com: a Medalha de Mérito Paulino Vieira, M-Net Awards da África do Sul; o Grande Prémio do  Festival de Filmes da Família de Créteil na França e o Prémio da Melhor Ficção no Festival do Filme do Ambiente, na França.

A última longa-metragem em data de Flora Gomes é o filme “Nha fala[vi], a primeira comédia musical do cinema africano, realizado em 2002. Convidado a participar no Mercado do Filme do Festival de Cannes, o filme recebeu a Bolsa Francófona de Promoção Internacional, que recompensa as obras de realizadores do Sul. Tal como os filmes precedentes do realizador, “Nha Fala” foi recompensado em vários outros festivais em que participou. Assim, recebeu os seguintes prémios: Prémio do Júri Melhor Filme e Prémio do Público Melhor Filme do Festival “Caminhos do Cinema Português X” Coimbra 2003; Primeiro Prémio (Comunicação Intercultural) do Festival “Vues d’Afrique” de Montreal (2003); Prémio da cidade de Ouagadougou e Prémio UEMOA no Festival Fespaco Ouagadougou 2003; Grande Prémio Signis Juri 2002 e Prémio d’Amiens Métropole do Festival de Amiens 2002, na França; Prémio “Lanterna Mágica” no Festival de Veneza 2002; Prémio Città di Roma – Arco-Iris Latino no Festival de Veneza 2002.

Em 2007, Flora Gomes e a jornalista-realizadora  portuguesa Diana Andringa co-realizaram “As duas faces da guerra[vii], um filme documentário sobre a guerra colonial na Guiné-Bissau e que foi apresentado na 2ª Mostra do Documentário Português que teve lugar de 15 a 24 de Fevereiro de 2008 em Lisboa.

Com a sua obra cinematográfica, Flora Gomes tornou-se no realizador de referência da cinematografia nacional, conquistando a estima e o reconhecimento internacionais como testemunham as diversas distinções de que foi alvo. Assim, em 1996 foi condedorado com o grau de Chevalier des Arts et des Lettres da França, em 1994 com a Medalha de Mérito da Cultura da Tunísia. Em 1994 foi Membro do Júri do Festival de Cartago e em 2000 integrou a manifestação  “6 Cineastas africanos” organizada, no quadro do Festival de Cannes, pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros francês. Nesse mesmo ano participou na Conferência sobre a Globalização, Regionalização, Cultura e Identidade nos Pequenos Países, organizada pela Universidade de Tufts (EUA).

De notar uma constante nos filmes deste grande realizador nacional: a participação em todos os seus filmes de Bia Gomes, actriz fetiche de Flora Gomes, sem a qual afirma “não poder trabalhar”.

Flora Gomes prepara-se a brindar-nos com futuras realizações: os documentários “Tarrafal” e República das crianças” e a ficção “Amilcar Cabral”.

3. A nova geração de realizadores

Vinte anos depois dos primeiros passos dos dois pioneiros do cinema bissau-guineense, novas vocações despontam no horizonte cinematográfico nacional.

Em 2005, Adulai Jamanca, que cursou realização no Instituto Nacional de Cinema da Guiné-Bissau (INC) com o realizador Sana Na N’Hada, realizou o seu primeiro filme “Zé Carlos Schwarz – A Voz do Povo[viii],  um documentário que retrata a vida de José Carlos Schwarz, poeta e fundador da música moderna da Guiné-Bissau.

Quatro outros realizadores desenvolvem neste momento projectos de filmes, apresentados já nos Encontros Tenk d’Africadoc em Goré, no Senegal, que têm como objectivo apoiar os novos realizadores africanos. São eles:

Waldir Araújo, que prepara “Hora de bai”, um documentário sobre os Rabelados da Ilha de Santiago de Cabo Verde;

Domingos Sanca, com “O Rio Cacheu”, um documentário que chama a atenção para a conservação da natureza na zona do rio Cacheu;

Geraldo Manuel de Pina, com o documentário “Paraísos divergentes” que aborda a questão do equilíbrio natural do Arquipélago dos Bijagós.

Suleimane Biai, com o filme documentário “Samba, chofer latchi” que através das vivências dos habitantes de Bissau, põe a nu as marcas físicas e psicológicas que a guerra de 1998-1999 deixou nas pessoas.

4. Fichas técnicas dos filmes dos realizadores guineenses

 

XIME (1994)

A boa colheita que se anuncia neste ano de 1963 deixa optimista a tabanca de Xime. Porém, Lala, o viúvo, pai de Raúl e Bedan está preocupado. Raúl, o seu filho mais velho, estuda com os padres em Bissau e as autoridades coloniais andam à sua procura. O seu filho mais novo, Bedan, que ficou na tabanca, entrou na adolescência, fase em que os jovens pensam que podem fazer tudo. Quando a tia Samy sai do seu estado de prostração anuncia a Lala as piores catástrofes. Raul, o filho ausente regressa à tabanca. O pai recusa-se a reconhecê-lo. Bedan, embora sensível às ideias revolucionárias de Raúl, não está pronto para aceitá-las. Raúl é também rejeitado pelo padre que o instruiu. Durante as ausências de Raúl, a tabanca volta a estar calma. Bedan deve submeter-se aos ritos de iniciação reservados aos jovens para se tornarem adultos. Esta iniciação ensina-lhes a trocarem a violência da adolescência pela doçura e reflexão. É durante a iniciação que os militares irrompem perseguindo Raúl que acabam por matar. O filme acaba no momento em que Bedan, iniciado à não-violência, vê a situação do país contradizer esta tradição. Bedan, diante do irmão morto, renega os ensinamentos dos seus mestres e declara: “Desta vez é a guerra”

Realização: Sana Na N’Hada

Produção : Molenwiek Film BV (Amsterdam), Arco Iris (Bissau), Les Matins Films (France), Cap Vert (Sénégal).

Com a participação de :
Ministério dos Negócios Estrangeiros (Direcção do Audiovisual Exterior e das Técnicas da Comunicação) e Ministério da Cultura e da Comunicação (Centro Nacional da Cinematografia) – FONDS SUD CINEMA (França).

Festival :
Selecção oficial do Festival de  Cannes 1994.

1994

Cenário : Sana Na N’Hada – Joop van Wijk

Duração : 95 mn

35 mm colorido

Imagem : Melle Van Essen

Som : Philippe Sénéchal

Música : Patricio Wong – Malam Mané

Montagem : Anita Fernandez

Intérpretes : José Tamba, Justino Neto, Aful Macka, Etelvina Gomes, Juan Tajes, Daniel Smith

MORTO NEGA (1988)

Diminga, mulher guineense de 30 anos de idade, decide ir ter com o marido, Saco, na frente da luta de libertação. Caminhando pelas matas com os combatentes, ela descobre o país em ruínas. Dias de tristeza: a morte está inscrita por toda a paisagem. Dias de esperança, também: em breve a guerra acabará. No acampamento, Diminga e Saco mal têm tempo de se reencontrarem. Tudo se precipita à sua volta. 1977, a paz não é o fim da guerra. Na tabanca de Diminga há muita alegria e ri-se muito. Há também alguns gritos de raiva, algumas lágrimas. A seca assolou o país, como uma nova fatalidade. É preciso continuar a lutar para que a terra dê os seus frutos. Hoje ela já não dá mais nada. A luz é dura. Tudo parece paralizado, imóvel. Ao lado de Diminga, Saco está doente. Diminga solicita então a ajuda dos deuses ancestrais…

Realizador : Flora Gomes

Cenário : Manuel Rambout BARCELOS, Flora GOMES

Imagem : Dominique GENTIL

Som : Pierre DONNADIEU

Intérpretes : Tunu Eugénio ALMADA, Mamadu Uri BALDE, Bia GOMES

Décors : Fernando JÚLIO, Manuel JÚLIO

OLHOS AZUIS DE YONTA (1991)

O filme traça a trajetória da jovem e bela Yonta, secretamente apaixonada por Vicente, um homem mais velho, amigo dos seus pais e antigo herói da luta pela independência do país. Ele nem sequer percebe a paixão que inspirou. Enquanto isso, Zé, um jovem do porto, manda cartas apaixonadas e anônimas para Yonta. A nossa história se passa em Bissau, uma cidade ao mesmo tempo jovem e velha, em movimento permanente. Um espaço onde a atmosfera oscila entre a esperança e o desencorajamento.

 

Realização: Flora Gomes
Cenário: Flora Gomes, Ina Cesaire, David Lang
Fotografia: Dominique Gentil
Música: Adriano G. Ferreira – Atchuchi
Intérpretes : Maysa Marta, Pedro Dias, Antonio Simão Mendes, Mohamed Lamine Seidi, Bia Gomes
Produtor: Paulo de Souza
Longa-metragem – 90 min.

PÓ DI SANGUE  (1996)

Na tabanca de Amanhã Lundju, por ocasião de cada nascimento planta-se uma árvore. Estas árvores crescem com as crianças, ultrapassam-nas, sobrevivem-lhes e tornam-se na alma dos habitantes. Quando Du, o nómada, gémeo de Hami, regressa da savana, o irmão acabava de morrer. O que matou Hami? Que mal ronda Amanhã Lundju? Quando chegam os citadinos interessados na exploração da floresta, tudo se complica. Calacalado, o velho feiticeiro dá ordens para a população se exilar, confia a missão  Du e pede a Saly que guie a população em direcção do sol. Irão até ao deserto para uma viagem de iniciação. E é o nascimento de uma criança que os faz voltar à tabanca para plantar uma nova árvore…
Realizador : Flora Gomes

Cenário : Anita Fernandez, Flora Gomes

Imagem: Vincenzo Marano

Montagem : Christine Lack

Som : Pierre Donnadieu

Intérpretes : Dulcineia Bidjanque, Dadu Cisse, Edna Évora, Bia Gomes, Adama Kouyate, Ramiro Naka

Produção: : Arco Iris (Guinée Bissau) ; Cinéfilm (Tunisie) ;Films Sans Frontières
70, boulevard de Sébastopol 75003 Paris France
Tél : 01 42 77 21 84 Fax : 01 42 77 42 66
Courriel : info@films-sans-frontieres.fr
Site : http://www.films-sans-frontieres.fr/

SP Films (Portugal)

NHA FALA (2002)

Em Cabo Verde tudo se faz em canções : casamentos e enterros, encontros e rupturas, eleições e inaugurações. Só a jovem Vita não tem o direito de cantar. Uma lenda ancestral da sua família prediz a morte àquela que tentar cantar. Antes de partir para França para continuar os estudos, ela reitera o seu juramento à mãe. Jamais uma melodia escapará da sa boca. Em Paris, Vita encontra um jovem músico, Pierre, e apaixona-se por ele. Levada pela alegria ela deixa escapar algumas notas. A sua voz é magnífica. Subjugado, Pierre convence-a a gravar um disco. Mas Vita está horrorizada por ter desafiado a maleficência. Ela decide de regressar ao país, de confessar o seu acto à mãe e de enfrentar o jugo da tradição…

Realização : Flora Gomes
Cenário : Flora Gomes et Franck Moisnard
Director da fotografia : Edgar Moura
Chefe Decoradora : Véronique Sacrez
Engenheiro do som: Pierre Donadieu
Montagem Som : Frédéric Demolder
Montagem : Dominique Paris
Música : Manu Dibango
Produção : Fado Filmes, Les Films de Mai, Samsa Films

Intérpretes :
Fatou N’Diaye : Vita
Jean-christophe Dollé : Pierre
Angelo Torres : Yano
Bia Gomes : Mère de Vita
Jorge Biague : Mito le Fou
José Carlos Imbombo : Caminho
François Hadji-lazaro : Bjorn
Danielle Evenou : Mère de Pierre

AS DUAS FACES DA GUERRA (2007)

 

 

Luta de libertação para uns, guerra de África para outros: o conflito que, entre 1963 e 1974, opôs o PAIGC às tropas portuguesas é visto, desde logo, de perspectivas diferentes por guineenses e portugueses. Mas não são essas as únicas “duas faces” desta guerra: mais curioso é que, para lá do conflito, houve sempre cumplicidade: “Não fazemos a guerra contra o povo português, mas contra o colonialismo”, disse Amílcar Cabral, e a verdade é que muitos portugueses estavam do lado do PAIGC. Não por acaso, foi na Guiné que cresceu o Movimento dos Capitães que levaria ao 25 de Abril. De novo duas faces: a guerra termina com uma dupla vitória, a independência da Guiné, a democracia para Portugal. É esta “aventura a dois” que queremos contar, pelas vozes dos que a viveram.

Realização: Diana Andringa e Flora Gomes

Narrador : Diana Andringa e Flora Gomes

Imagem : João Ribeiro

som : Armanda Carvalho

Montagem: Bruno Cabral

Misturas de som : Hugo Reis – Pim Pam Pum

Misturas de cor : Andreia Bertini

Secretariado de produção : Isabel Mendes

Produtor : Luís Correia

Projecto desenvolvido com o apoio de Programa MEDIA

Apoiado por ICAM/MC, RTP

 

ZÉ CARLOS SCHWARZ A VOZ DO POVO (2005)

Até poucos anos antes da independência, em 1974, a Guiné-Bissau tinha quinhentos mil habitantes, fragmentados e divididos em 35 etnias. Cada uma delas tinha o seu próprio dialecto, com o qual fazia e cantava a sua própria música a partir de instrumentos tradicionais.

Foi então que um homem decidiu pegar em instrumentos musicais das várias etnias e criou uma forma musical que unificou os guineenses. Este filme retrata a vida de José Carlos Schwarz, poeta e fundador da música moderna da Guiné-Bissau. Com a sua voz e guitarra sempre denunciou o sofrimento do povo guineense, tanto na era colonial como depois da independência, quando se tornou uma voz incómoda para os dirigentes do país. Não podendo ser eliminado fisicamente, por causa da sua reputação, foi afastado do país e nomeado encarregado dos negócios da embaixada da República da Guiné-Bissau em Cuba.

José Carlos morreu num acidente aéreo em Cuba, em 1977, com apenas 27 anos. As suas canções muito poderosas atraíram grandes músicos africanos que cantaram as suas músicas, como é o caso de Bonga (Angola), e Miriam Makeba (África do Sul), entre outros. Esta última chegou a gravar com José Carlos em Nova Iorque, e teve a honra de ficar com a guitarra dele. Hoje, a sua voz continua viva. Na rádio, quando passa música dele, significa que logo vem a notícia de algo grave a acontecer no país.

Duração: 52’

Género: Documentário

Autor/Realizador: Adulai Jamanca

Suporte/Gravação: DVCAM

Língua Original: Português e Crioulo

Fontes:

 

http://www.lxfilmes.com/catalogo/2005/bissau-disabel

http://www.africadoc.org

http://www.festivalcineport.com/2005/imprensa/HUMBERTO_MAURO/CURRICULOS/CurriculosTrofeuHumbertoMauro.doc

http://www2.uol.com.br/mostra/29/p_exib_filme_arquivo_1282.shtml

http://www.lxfilmes.com/catalogo/2007/as-duas-faces-da-guerrathe-two-sides-of-the-warthe-two-sides-of-the-war

http://spot.pcc.edu/~mdembrow/mortu_nega.htm

http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=8875&catogory=Entrevista

http://www.trigon-film.ch/fr/movies/Po_di_sangui

http://www.diplomatie.gouv.fr/fr/actions-france_830/cinema_886/cooperation-cinematographique_5371/aides-production_5622/films-aides_5623/films-aides-par-fonds-sud_5624/guinee-bissau_7344/po-di-sangui_7210/index.html

http://www.diplomatie.gouv.fr/en/france-priorities_1/cinema_2/cinematographic-cooperation_9/production-support-funding_10/films-benefiting-from-aid_13/film-list-by-country_15/guinea-bissau_1349/xime_1384/by-sana-na-n-hada_904.html?var_recherche=sana

Rencontre avec Flora Gomes/ Le Film Africain, n° 16, Maio de 1994


[i] Ver ficha técnica do filme XIME

[ii] Ver ficha técnica do filme BISSAU D’ISABEL

[iii] Ver ficha técnica do filme MORTU NEGA

[iv] Ver ficha técnica do filme OLHOS AZUIS DE YONTA

[v] Ver ficha técnica do filme PÓ DI SANGUI

[vi] Ver ficha técnica do filme NHA FALA

[vii] Ver ficha técnica do filme AS DUAS FACES DA GUERRA

[viii] Ver ficha técnica do filme ZÉ CARLOS SCHWARZ – A VOZ DO POVO

[1] Ver ficha técnica do filme AS DUAS FACES DA GUERRA

[1] Ver ficha técnica do filme ZÉ CARLOS SCHWARZ – A VOZ DO POVO

Filomena Embaló: nasceu em Angola, filha de pais caboverdianos e de nacionalidade guineana. Formou-se em Ciências Económicas na França, ocupou cargos na administração pública da Guiné-Bissau e no estrangeiro. Atualmente, além de contribuir com o  projeto Didinho.org, trabalha em París, na organização intergubernamental União Latina.

Pitche-Patche de Ostras

Padrão

 

Ingredientes:

  • 1 dl de óleo de amendoim
  • 1 kg de ostras
  • 3 tomates médios maduros
  • 70 grs de arroz carolino
  • 2 dentes de alho
  • 1 limão
  • 1 cebola grande
  • sal q.b.
  • piripiri q.b.

Confecção:

Em primeiro lugar põe-se o arroz de molho em água fria durante 15 minutos. 
Retira-se da água e põe-se num pano de cozinha e com o rolo da massa ou uma garrafa pisa-se para o partir. 
Leve um tacho ao lume com o óleo, a cebola e dentes de alho picados. Junte o tomate limpo de peles e sementes a refogar. 
Assim que a cebola amolecer junta-se o arroz partido e refoga-se mais um pouco. 
Adiciona-se água suficiente para o caldo (+- 1 litro e meio de água) e a água das ostras coada por um pano fino, que antecipadamente abriu com uma faca própria. 
Deixe levantar fervura e misture as ostras. 
Depois das ostras cozidas retire o tacho do lume e regue com sumo de limão. 
Sirva quente.