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Feitiço Angolano

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Jornal Folha 8 (Angola)

Segundo o nosso amigo Facebookiano, Master Ngola Nvunji, esta zungueira angolana sai de casa às 6 horas para vender os seus produtos. Até às 8 horas o seu produto acaba na totalidade. Não se sabe ao certo o que ela faz durante o resto do dia, mas de certeza que se esconde para evitar o assédio intempestivo do prepotente macho saudável, que, diga-se de passagem, não tem culpa nenhuma de ficar alterado perante tão estonteante apelo à prática do pecado original. Esta moça, segundo apurámos, chama-se Eva e o nome assenta-lhe como uma luva. Se Adão fosse vivo teríamos agravamento mais que certo do pecado original que ele cometeu do Eden! Enfim, até aí já não há problemas, mas “as outras zungueiras dizem que ela foi buscar feitiço para vender, vejam só”.

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Zungueira:  Mulher vendedora das ruas de Luanda. O termo advém da língua nacional Kimbundu “kuzunga” e significa “circular ou rodear”.

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Morreu líder da Frente Polisário Mohamed Abdelaziz

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VOA PORTUGUES

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O secretário-geral da Frente Polisário e presidente da República Árabe Sarauí Democrática (RASD), Mohamed Abdelaziz, morreu na terça-feira, 31, aos 68 anos, vítima de doença prolongada.

Em nota, o movimento independentista pediu um período de luto de 40 dias, após o qual um novo secretário-geral será escolhido.

Na Argélia, o presidente Abdelaziz Bouteflika decretou luto de oito dias e abriu a reunião de um Conselho de Ministros com um minuto de silêncio em homenagem ao líder independentista.

“É uma grande perda para o povo saharaui”, disse à AFP Mohamed Keddad, dirigente do movimento, lembrando que “ele sacrificou a sua vida pela libertação do Saara Ocidental, incorporou a sabedoria, a ponderação, o compromisso sincero e firme pela libertação do Saara Ocidental”.

Em Fevereiro passado, Mohamed Abdelaziz apareceu enfraquecido ao receber o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, num campo de refugiados em Tindouf, na Argélia, que indiciava estar doente.

O dirigente histórico da causa da independência do Saara Ocidental, Mohamed Abdelaziz nasceu na cidade de Smara a 17 de agosto de 1947, parte do então Saara espanhol, e estudou Medicina na Universidade de Marrocos.

Depois de proclamada a República Árabe Sarauí Democrática, a 27 de Fevereiro de 1976, foi eleito a 9 de Junho sucessor do primeiro secretário-geral da Frente Polisário e reeleito desde então para o cargo 11 vezes, a última das quais em 2011.

Marrocos sempre considerou o Saara Ocidental como parte integrante do seu território.

Um plano da ONU para um referendo de autodeterminação nesse território continua bloqueado desde 1992 por Marrocos, que defende uma ampla autonomia sob a sua soberania.

A Missão das Nações Unidas para o Referendo no Saara Ocidental (MINURSO) supervisiona desde então um cessar-fogo oficialmente proclamado pela Frente Polisário em setembro de 1991.

Aniversário do mestre Tamoda – Nonagenário de UANHENGA XITU

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Se estivesse vivo, o escritor completaria 90 anos, no passado dia 29 de Agosto. De feliz memória, Agostinho André Mendes de Carvalho ou melhor Uanhenga Xitu deixou um legado que se vai transferir para as várias gerações, destacadamente no âmbito político, como figura de proa do nacionalismo angolano e no âmbito cultural, como um dos escritores de maior referência do nosso panorama literário.

Por João Papelo em Folha 8

uanhenga“Mestre” Tamoda foi um dos primeiros livros de Uanhenga Xitu. Esta personagem de ficção angolana é ainda o motivo do livro Os Discursos do “Mestre” Tamoda: vai da zona rural, para a cidade, para casa de pessoas da sociedade colonial, e o que ali aprende, a ler e a escrever, e os vocábulos mais difíceis que encontra em dicionários, transportará depois consigo de regresso a aldeia. Com a sua nova linguagem, projecta naquele seio rural a sua intelectualidade, ensinando aos jovens o poder da palavra, mesmo de palavras por ele inventadas e com as quais eram desafiadas as autoridades coloniais – o professor oficial e o administrador. Todavia, a Mestre Tamoda não chegaria o saber de cor os dicionários, o falar como o colono para se libertar da condição de ser mais um dos nativos subjugados.

BIOGRAFIA

Uanhenga Xitu (Agostinho André Mendes de Carvalho) nasceu em 1924 em Calomboloca (Icolo e Bengo). Em 1959 foi preso pela polícia política portuguesa e enviado para o campo de concentração de Tarrafal, em Cabo Verde, onde permaneceu vários anos e onde começou a escrever os seus contos. Após a independência de Angola, foi Governador de Luanda, Ministro da Saúde, Embaixador na Alemanha e Deputado à Assembleia Nacional. Faleceu numa quinta-feira, a 13 de Fevereiro do corrente ano, vítima de doença.

” Um filho chamado luar “

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Por Orlando Castro (*)

angola atardecer

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A noite apaixonou-se pelo dia

fazendo juras de amor sem par.

E entre as brumas da nostalgia

nasceu um filho chamado luar.

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E é no meio de Angola que mora

a raiz de uma saudade que enleio.

Por isso é que sou branco por fora,

preto por dentro e mulato no meio.

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Mas tudo isso são coisas do coração,

dos que  amam sem olhar a quem,

dos que dão força à força da razão

e que nos ajudam a sermos alguém.

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Orlando Castro, natural de Angola.  Mora actualmente em Porto, Portugal, país onde desenvolve seu trabalho de jornalista independente e Escritor.

 

Imagem: https://barakadas.wordpress.com/