Militares do Mali tomaram o poder em Bamako, após várias horas de combates com a guarda presidencial. Na origem do golpe de Estado estará o descontentamento dos militares com a falta de meios para combater os rebeldes tuaregues no Norte do país.

Uma fonte militar leal ao governo maliano garantiu entretanto à agência AFP que o presidente, Mamadou Toumani Touré, que os rebeldes afirmam ter deposto, “está bem” e “em local seguro”.

“O presidente está bem, está em local seguro, assim como os ministros da Segurança [Natié Pléa] e da Defesa [general Sadio Gassama], os ministros visados” pelos militares revoltosos que anunciaram, esta quinta-feira, ter derrubado o regime, afirmou a fonte, sob anonimato.

Sem adiantar onde estão o presidente e os ministros da Segurança e da Defesa, a mesma fonte admitiu que alguns membros do governo foram detidos, mas não todos.

O responsável militar criticou ainda a reação francesa ao golpe de Estado, após o ministro dos Negócios Estrangeiros, Alain Juppé, ter defendido a realização de eleições “o mais rapidamente possível”.

“Nestes casos, não se exige a realização de eleições em breve. A primeira coisa a exigir é o restabelecimento do Estado de Direito, da ordem constitucional”, afirmou.

Mas o governo francês não foi o único a pedir eleições. Também o secretário-geral da Francofonia, Abdou Diouf, condenou o golpe de Estado e pediu a realização de eleições livres “num prazo aceitável”.

“O secretário-geral apela a um diálogo político imediato, reunindo todos os atores políticos malianos, para cessar os combates em todo o território e restabelecer a paz, definir as condições de um regresso à ordem constitucional e preparar, num prazo aceitável, eleições livres, fiáveis, transparentes e inclusivas”, indica um comunicado da Organização Internacional da Francofonia (OIF).

Entretanto, num comunicado emitido pela sua sede em Adis Abeba, a União Africana condenou “qualquer intenção de tomar o poder pela força” e exigiu o respeito pela legitimidade constitucional.

O presidente da Comissão daquele organismo, Jean Ping, sublinhou “a necessidade de respeitar a legitimidade constitucional que representa as instituições republicanas, incluindo o Presidente da República e chefe de Estado, Amadou Toumani Touré”.

O responsável da UA declarou-se ainda “muito preocupado pelos repreensíveis atos cometidos atualmente por alguns elementos do Exército maliano em Bamako”, onde a União Africana realizou esta semana uma reunião sobre paz e segurança.

O governo da Argélia, que faz fronteira com o Mali, condenou também o golpe de Estado, rejeitou “firmemente” o recurso à força e exprimiu o seu “forte compromisso” com o restabelecimento da ordem constitucional.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros argelino, Amar Belani, adiantou que a Argélia “segue com grande preocupação” a situação no Mali. “Consideramos que todas as questões internas do Mali devem encontrar solução no funcionamento normal das instituições legítimas do país e dentro do respeito das normas constitucionais”, afirmou.

REF: Jornal de Noticias.

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