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SALIF KEITA – Música Mali

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Salif Keita nasceu em Djoliba, Mali, em 5 de agosto de 1949. Descendente direto do fundador do Império Mali, Sundiata Keita, albino e apaixonado pela música, Salif Keita, contrariando seu destino, escolhe se tornar cantor, ainda que esta não seja uma profissão digna da sua casta. No ano de 1967 viaja até Bamako, onde faz parte da Super Rail Band junto com o reconhecido músico Mory Kanté, começando assim sua bem sucedida carreira musical.

Madan

Não dissolvam o Kuduro

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Por Custódio Fernando (Angola)

Depois de lerem este artigo as pessoas poderão questionar quem sou eu e onde estive.

Tudo vai depender do ponto de vista. Se o seu ângulo de visão é para as estrelas e a ribalta, esquece! Você nunca vai  saber quem sou! Entretanto se assim como eu é daqueles que mesmo ao longe acompanham o desenrolar do que os  nossos ídolos andam por aí a fazer, então você sabe quem eu sou. Sou o povo! Sou você, só que num outro corpo com  uma outra mente. Mas como não podemos ser a mesma pessoa dividida em dois corpos, então… digamos que somos  duas pessoas em dois corpos, duas pessoas preocupadas com o estado de saúde da nossa sociedade.

Esta sociedade que se forma com pessoas dos mais variados estratos, com os mais diferentes gostos, e as mais esquisitas  manias. E foi nesta sociedade a que pertencemos que um dia surgiu um estilo musical que mais tarde veio a ser chamado  Kuduro. Quem criou quem desenvolveu quem animava ou quem dançava melhor, isso não interessa discutir agora!  Interessa dizer que hoje o Kuduro se tornou uma autêntica fonte de receita que vai proporcionando bem estar aos que  conseguem executá-lo no mais alto escalão, e algum desafogo aos que na base vão gravando esta ou aquela música que  cai nas graças do povo e assim consegue surgir, embora de modo descartável. Mas nem sempre foi um mar de rosas, e  isso é o que me preocupa. Já foi duro fazer o Kuduro. E ninguém, além dos “animadores” (sim eu escrevi ANIMADORES –  Só hoje é que nós os conhecemos como Kuduristas) se atrevia defender o estilo. Todos fugiam! Lançavam pedras  contra os artistas, agitavam para que as rádios não passassem porque eram considerados bandidos e vagabundos. Mas o  Kuduro prosperou. Já foi mbrututo, já foi açúcar, já foi gato preto, já meteu dibengo, se tornou mamakudi, mamadi, e  seus “criadores” apanharam pancadas depois de shows até que hoje está sair bem.

Hoje temos pessoas dizendo que se identificam com o Kuduro. Sim, vocês amam o Kuduro e nós também! Mas não  venham usar o kuduro como handicap para internacionalização de vossas carreiras. Queremos internacionalizar o  verdadeiro, o original o kuduro do Kazenga, do Rangel, do Sambila, dos Combatentes, da Viana, o Kuduro que senta na  baúca e se espalha pelos candongueiros até chegar nas 18 províncias, já que o que nasce lá, não tem kumbu para chegar  na Nguimbe, a capital desta nossa Angola! Porque o kuduro é de Angola e deve ser reconhecido como tal.

Por isso, um recado para si que não te conheço, aliás, nem tu a mim conheces. Se quisermos mostrar o kuduro na  diáspora, traga os Lambas, traga Nacobeta, traga o Xru Bantu, traga Puto Prata ou mestre Yara, Fofandó ou Noite e Dia,  traga quem você achar que é kudurista, mas não venha cantar semba dando “tokes de Kuduro” e apresentar aos “pulas”  como Kuduro. Isso não, por favor! Kuduro é outra coisa! Kuduro é nossa história, é a contemporaneidade do angolano  cujas letras ou mensagens servem só espelham o que vivemos hoje nos bairros de Luanda com uma luz que oscila, e no  escuro da periferia de Angola onde nem luz chega. Por isso cantamos, por isso fazemos “o” Kuduro para seguir em frente e continuarmos felizes. Viva o Kuduro.

 Custódio Fernando é Natural de Malange, radialista e jornalista.  Atualmente mora em São Paulo-Brasil onde estuda audiovisual e é co-produtor e apresentador do programa Zwela África.

Imagem: La gran paradoja