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PALESTRAS UNESCO/TRIANGULO KANAWA DESCENTRALIZADAS – DECENIO 2012/2022 DOS AFRODESCENDENTES

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Por Simão SOUINDOULA


O ciclo de conferências que estava a ser cumprido pelo historiador Simão Souindoula, do Comité Cientifico Internacional do Projeto onusiano da “Rota do Escravo”, na sede da União dos Escritores Angolanos, será descentralizado ao nível da cidade de Luanda.

Esta opção decorre de pedido de vários grupos de estudantes e do público que conseguiam assistir a essas preleções.

O início desta nova etapa de encontros e marcado para o dia 27 de Julho próximo, a partir das 16 horas, no Complexo Turístico Calor Tropical, sito na autoestrada da Samba.

O perito da UNESCO abordara o inédito tema:   “ A Rota ibérica da Escravatura. Portugueses leuco-dermes atestam genes bantu.”

Realçara o facto, de Portugal, nação, singularmente, expansionista, instalou, já, nos meados do século XV, contingentes de cativos negros vindos, a partir de 1441, das costas de Africa ocidental.

Esta mão-de-obra, tornada indispensável, aumentara, substancialmente, ate atingir nos meados do seculo XVI, 10% da população de Lisboa.

E, em 1700, estima-se a população escrava na aglomeração da embocadura do Tage a 30 000 indivíduos.

 Esta evolução terá efeitos antropobiológicos na população portuguesa.

Com efeito, o exame da cartografia do gene HBB  S, responsável de uma doença hematológica virtualmente ausente das populações da Europa setentrional e central, permite constatar a sua predominância ao sul de Portugal, particularmente nos vales do Sado e Sorraia.

A classificação desta componente do cromossoma, constituído de um elemento de ADN, coincida, curiosamente, com o tríptico esclavagista de Africa ocidental com, nomeadamente, a distinção bantu; este ultimo registro fazendo referencia, para o essencial, ao atual território angolano: o vasto Reino do Congo e os seus territórios aliados assim que a antiga Colónia portuguesa de Angola.

 A sessão é aberta ao público; com um convite especial aos estudantes da Universidade Independente de Angola.

 

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«O lungungu kongo e seu clone, o berimbau brasileiro, nas bagagens de Gilberto Gil»

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Palestra:

«O instrumento de música africana e sua importância no panorama mundial»

Brazzaville, 3 – 4 de agosto de 2012

Resumo:

Um dos períodos de intensas trocas de valores de civilização registado, nesses últimos seculos, na história da humanidade, foi, sem dúvida, o ligado ao tráfico transatlântico de centenas de milhares de escravos africanos.

Este movimento humano instalou no Novo Mundo, uma grande parte da organologia africana.

Um dos instrumentos vindo do litoral negro, o mais emblemático, no imenso Brasil, verdadeiro subcontinente, foi o arco musical.

Bem conservado nas expressões tradicionais afro-brasileiras, o berimbau foi integrado na música popular brasileira por diversos compositores tais como o prolifico artista de Salvador de Bahia, Gilberto Gil.

Guardara a sonoridade do mongongo bantu, durante a sua fabulosa carreira, no seu pais e na Grande Bretanha, durante o seu exilio, onde ele integrara os conjuntos Yes, Pink Floyd e Incredible String Band.

O antigo Ministro brasileiro da Cultura marcara do seu estilo herdado do hongolo, numa digressão que efetuou, nos anos 70, nos Estados Unidos de América e num álbum que realizou, ai.

Influenciara, com o seu jogo de guitarra, baseado sobre o embulumbumba, Jimmy Cliff, com quem ele trabalhou algum tempo.

A sua técnica elumba  dará, em 1980,  a originalidade da versão portuguesa de “No Woman, No Cry”, o sucesso de Bob Marley e The Wailers, que introduziu o reggae no Brasil, e que fiz, ai, um grande sucesso.

A grande internacionalização estruturante do Baiano  foi cumprida em 1986, no Japão, com os seus Solos de Berimbau Consolação, que foram retomados por vários guitarristas do pais do Sol-Levante.

Em 1993, Gilberto Gil inserou o seu género na versão da cancão de Jimi Hendrix “Wait Until Tomorrow”.

Sob a conduta de GG e a iniciativa de centenas de grupos de capoeira, o ochikwayakwaya, saído das florestas africanas, passando pelas savanas brasileiras,  joga o seu papel de coadjuvante de diversidade nas músicas populares do resto do continente americano, das Caraíbas, da Europa ocidental e da Asia.

Veja a Biografia do Professor Souindoula

HISTORIA DE ANGOLA: O KIMBUNDU, UMA LINGUA EMBLEMATICA

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E o ponto de vista defendido pelo especialista do Congo da margem direita,   Jean de Dieu Nsonde,   na sua nova obra «  Falamos kimbundu. Língua de Angola » que lançara, em Paris,   em algumas semanas, na rua das Escolas, no Bairro Latino, as edições L’Harmattan.

 

Selado no bom formato de 140 paginas este estudo e o seguimento, lógico, dos  notáveis  trabalhos anteriores deste antigo estudante da rigorosa Escola Histórica de Brazzaville.

Com efeito, esse Doutor em história pré – colonial na Universidade de Paris 1, complete com esse último livro, as suas sólidas análises sobre a evolução religiosa, linguística e civilizacional do imenso conjunto federal Kongo e dos seus territórios aliados.

Nsonde, cuja tarefa foi facilita pela similaridade do kikongo e kimbundu, falares considerados, ate, recentemente, variantes de uma mesma língua, que estava, visivelmente, ainda veicular, em Loanda, no século XVI, marca o inicio da diferenciação, mais pronunciada,  entre os dois idiomas, gémeos, a partir da violente fundação da Colónia portuguesa de Angola nas terras do aliado Ndongo, território, igualmente, dos Nzinga.

E, e naturalmente que o kimbundu será arrastado pela dinâmica histórica e se apresenta, hoje, segundo o especialista congolês, actualmente Professor em função em Guadalupe, nas Antilhas francesas, como a língua angolana que, mais, fagocitou, retenções do português. E, será, também, esse idioma que, mais, dará,  à língua de Camões, os seus bantuismos.

E, e sobre o falar dos Ngola que será produzida, mais instrumentos linguísticos : dicionários, glossários, léxicos e gramáticas.

Apreendida, portanto, na pretensiosa colónia, a língua da « Warrior Queen of Matamba » será influenciada pela consolidacao militar deste território, ocupado de forca,   com as suas capacidades de activismo esclavagista e sua imparável primeira evangelização.

A epopeia do idioma dos Mondongos, escravos,   continuara no Golfo de Guiné e no além – Atlântico, num inseparável duo, genérico, congo/angola, com a produção de mesmos suportes de aprendizagem, sobretudo, religiosos ; participando, gradual e finalmente, a formação de crioulos  à base romana ou anglo-saxã.

O dialecto dos Ambundu será convidado, em Angola, pós -Berlim, na literatura com acentos, já, autonomistas.

Os poetas – nacionalistas utilizarão, antes e depois da Segunda Grande Guerra,   a sua impenetrável carga antropológica a fim de exprimir as suas esperanças de liberdade.

INTERCOMPREENSAO

Principal língua bantu em uso na definitiva capital da Colónia e do actual Estado,  independente, a fala da Feira de Cassanje será o que terá, dentre das línguas autóctones, a expansão a mais significativa no território ; consequência do seu papel de pivô nas trocas comerciais com o hinterland.

Outro ganho desta situação administrativa, o kimbundu será a língua, por excelência, da música urbana ; em suma da principal expressão musical nacional e do português particularizado do país.

Veredicto do historiador congolês de Mfwa, instalado nas Caraíbas, o kimbundu e o primeiro idioma bantu falado, hoje, na região de Luanda e nas zonas, rurais, adjacentes.

A sua importância se manterá graças a sua difusão no pacote de Ngola Yetu, a estacão radiofónica, especializada nas línguas nacionais, que emite, em ondas curtas, quer dizer, sobre o conjunto do território nacional ; atingindo, portanto, bem, as comunidades kimbundufonas do Bandundu, no Congo-Kinshasa.

A situação do jargão dos Kisamas e  Dembos perdurara graça, igualmente, a diversos factores de carácter cultural ou politico tais como a sua inclusão no sistema de ensino geral e de formação profissional, ou na administração dos municípios e comunas, assim que a realizacao das campanhas eleitorais.

Com as suas longas bandas de intercompreensão linguística atingindo, pelo menos, seis províncias do pais, a sua persistente colagem ao kikongo, ilustrada, pela reedição do dicionário do Padre Da Silva Maia, sobre as duas línguas aparentadas de Cannecatim, o kimbundu jogara, particularmente, bem, sem dúvida, ao lado dos outros idiomas do pais, o papel de língua bantu para a consolidação da nação angolana.

Por  

Simao SOUINDOULA

Historiador. Perito da UNESCO